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Por Geraldo Elísio (Repórter)

Por volta das 12 horas de hoje, em face das fortes explosões ocorridas no centro de Belo Horizonte, deixei a minha residência e resolvi descer à Rua da Bahia. As explosões eram ensurdecedoras, apesar de um clima aparente de paz. Uma multidão de homens e mulheres, a maioria com trajes de cor negra, me fez lembrar a Greve da Polícia Militar de Minas Gerais ocorrida em tempos em que o governador do Estado era Eduardo Azeredo.

E era exatamente este grupo – policiais militares e civis, homens e mulheres de todas as faixas etárias – a protestar em favor do aumento dos seus salários. No meio da multidão fui reconhecido por um policial, hoje um homem de idade média, tempos passados um jovem cursando a Academia de Polícia Civil de Minas Gerais. Um momento em que fui contratado para press advisor da instituição quando da realização de três seminários internacionais objetivando transformar a instituição em uma Polícia Cidadã.

Porém o tempo passou, a inteligência do cérebro mais privilegiado que eu conheci nos meios policiais não se beneficiou desta situação e, por obra e graça do então governador Itamar Franco, viu todo o seu esforço se diluir num caudal de mediocridade que até hoje assusta. Por uma questão de justiça deve ser citado o nome do delegado Milton Fortes da Silva.

Porém voltemos ao encontro com o ex-aluno. Ele se aproximou e me cumprimentou, e mostrou-se admirado de eu estar em atividade até hoje e me apresentou um outro manifestante da PMMG. Os dois não economizaram críticas a Eduardo Azeredo – elogios a Itamar Franco – uma enxurrada de acusações pesadas a Aécio Neves, Antônio Anastasia, Alberto Pinto Coelho e Fernando Pimentel, utilizando-se do pior que pode haver nos dicionários em relação ao governador Romeu Zema.

Sempre ao se referir ao atual governante a expressão mais delicada para defini-lo era “Esse sem palavra e caráter que está aí, na ilusão de que pode ganhar no susto de novo, brincando com coisa séria.”

Segundo eles, cresce cada vez mais o sentimento de que os policiais não devem mais reprimir greves de outras categorias com os mesmos métodos antigos, abrindo uma exceção, a “não ser que haja uso de violência”. Assim, em meio a estrondos mais compatíveis com uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia, eles se despediram de mim e seguiram a suas estradas grevistas.

E fiquei a pensar nas greves estudantis dos idos de 64, quando os estudantes gritavam tentando atrair policiais para as hostes deles:

“Ei você aí, também é explorado. Vem para o nosso lado”.

Certo dia alguém comentou:

– O dia em que eles entenderem que isto é uma verdade, as coisas ficarão mais difíceis de serem controladas.

Parece que os novos tempos chegaram para ficar.

A todas as pessoas citadas nesta matéria automaticamente é garantido o direito da resposta no espaço tamanho e corpo.