A primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed, realizada ao longo de 2025, avaliou a qualidade de 351 cursos de medicina em funcionamento no Brasil. O balanço divulgado nesta segunda-feira mostra que a maior parte dessas graduações alcançou desempenho considerado satisfatório. Ao todo, 243 cursos registraram proficiência mínima de sessenta por cento entre os estudantes concluintes, enquanto 107 tiveram avaliação negativa. Um curso não foi avaliado por não alcançar número suficiente de formandos inscritos.

Os resultados foram apresentados pelo Ministério da Educação em coletiva com a imprensa, que contou também com a participação do Ministério da Saúde. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, o objetivo do exame é induzir melhorias na formação médica. Ele afirmou que a avaliação serve como instrumento para assegurar qualidade, estimular boas práticas e permitir que cursos bem avaliados possam ampliar vagas com responsabilidade.

O Enamed contou com 89.024 inscritos, entre estudantes e profissionais da área médica. Desse total, 39.258 eram concluintes de cursos de graduação em medicina. A maioria dos avaliados, mais de vinte e oito mil estudantes, é oriunda de instituições privadas, com ou sem fins lucrativos. Pouco mais de nove mil inscritos pertencem a universidades públicas, considerando instituições federais, estaduais e municipais.

Os melhores resultados foram observados entre estudantes de instituições públicas federais e estaduais. Entre os 6.502 alunos das universidades federais, a média de proficiência foi de 83,1 por cento. Já os 2.402 estudantes das instituições estaduais apresentaram média ainda mais elevada, de 86,6 por cento, indicando desempenho considerado alto pelo exame.

Na outra ponta, os piores resultados ficaram concentrados nas instituições municipais e privadas com fins lucrativos. Os 944 estudantes vinculados a cursos mantidos por municípios obtiveram média de 49,7 por cento da pontuação máxima, índice classificado como insuficiente. Entre os 15.409 alunos de instituições privadas com fins lucrativos, a média alcançada foi de 57,2 por cento, também abaixo do patamar considerado satisfatório.

Camilo Santana destacou que os dados revelam um contraste relevante entre redes de ensino. Segundo ele, cursos públicos federais, estaduais e privados sem fins lucrativos apresentaram desempenho positivo, enquanto as instituições municipais e privadas com fins lucrativos concentram as maiores preocupações do governo. O ministro afirmou que o foco agora é adotar medidas para elevar a qualidade da formação nesses segmentos.

Com base nos resultados, o Ministério da Educação informou que cursos integrantes do Sistema Federal de Ensino que registraram média inferior a sessenta por cento serão submetidos a Processo Administrativo de Supervisão. As medidas poderão incluir, de forma escalonada, a proibição de ampliação de vagas, redução da oferta, suspensão do Fundo de Financiamento Estudantil e até a interrupção do ingresso de novos estudantes.

Segundo o MEC, dos 304 cursos de medicina sob regulação federal, 99 ficaram enquadrados nas faixas consideradas insatisfatórias. Após a publicação oficial dos resultados, essas instituições terão prazo de trinta dias para apresentar defesa. As sanções, se confirmadas, valerão até a próxima edição do exame, prevista para outubro de 2026.

Criado em abril de 2025, o Enamed é uma adaptação do Enade voltada especificamente à formação médica. O exame é obrigatório e seu resultado pode ser utilizado como critério de acesso a programas de residência médica organizados pelo Ministério da Educação e pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, por meio do Enare.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


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