O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira, dia 19, que qualquer definição sobre seu papel nas eleições de 2026 será tomada em diálogo direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, trata-se de uma conversa franca, que descreveu como um entendimento entre dois amigos, sem imposições ou decisões unilaterais. Haddad tem resistido publicamente à ideia de disputar cargos eletivos, mas admite que há pressões políticas para que concorra ao Senado ou ao governo de São Paulo.
Em entrevista concedida ao UOL, o ministro relembrou episódios em que contrariou expectativas do próprio presidente. Haddad citou o ano de 2020, quando Lula tentou convencê-lo a disputar a Prefeitura de São Paulo, e também uma viagem internacional em que voltou a ser instado a se candidatar. Em ambas as situações, disse ter mantido sua posição de não entrar na disputa eleitoral, reforçando que sempre houve respeito mútuo nessas conversas.
Apesar disso, Haddad não descartou completamente a possibilidade de rever sua decisão. Ele explicou que pretende deixar o Ministério da Fazenda no início do ano, antes do prazo legal de desincompatibilização, que se encerra em abril, mas não fixou uma data definitiva. O ministro ressaltou a importância de que seu sucessor assuma a pasta logo no começo do ano para conduzir funções centrais, como a execução orçamentária e financeira. Nos bastidores, o nome do secretário-executivo Dario Durigan é apontado como o favorito para a sucessão.
Haddad reiterou que, até o momento, tem afirmado não pretender se candidatar, mas reconheceu que a decisão final será fruto de consenso com Lula. Segundo ele, as conversas começaram na semana passada e ainda não foram concluídas. O ministro relatou que apresentou seus argumentos, ouviu os pontos de vista do presidente e destacou que o diálogo tem ocorrido de forma respeitosa, com a expectativa de um entendimento nos próximos encontros.
O titular da Fazenda afirmou que, neste momento, seu interesse principal é ter tempo para discutir o projeto de País. Ele destacou a necessidade de refletir sobre o papel do Brasil no cenário internacional, marcado por instabilidade e desafios simultâneos nas esferas interna e externa. Para Haddad, esse período de reflexão é essencial para avaliar caminhos de desenvolvimento e inserção do país em um contexto global que classificou como dramático e complexo.
Ao analisar o ambiente político, Haddad avaliou que a economia perdeu espaço entre as principais preocupações da população brasileira. Ele citou levantamento da Genial/Quaest que aponta a violência como a maior inquietação dos brasileiros, seguida por problemas sociais e corrupção, enquanto a economia aparece em posição secundária. Na visão do ministro, esse cenário ajuda a explicar por que resultados econômicos positivos, isoladamente, não garantem vitórias eleitorais.
Haddad comparou a situação brasileira ao contexto internacional recente, mencionando a derrota de Joe Biden para Donald Trump, mesmo com indicadores econômicos mais favoráveis do que no passado. Para ele, a economia é condição necessária, mas não suficiente para definir eleições. Por fim, o ministro afirmou que o Brasil recuperou o poder de compra do salário mínimo, a exemplo do segundo mandato de Lula e do primeiro de Dilma Rousseff, e avaliou que a reforma tributária tende a reduzir o preço dos alimentos no médio prazo.
Foto: Diogo Zacarias/MF

