A filiação do senador Sérgio Moro ao Partido Liberal provocou uma forte crise interna na legenda no Paraná, resultando na saída em massa de prefeitos e lideranças locais. Após a chegada do ex-juiz, 48 dos 52 prefeitos que integravam o partido no estado decidiram deixar a sigla, em um movimento que evidencia o impacto político da mudança.

A debandada foi anunciada nesta quinta-feira durante coletiva de imprensa liderada pelo deputado federal Giacobo, então presidente do diretório estadual do partido, que também confirmou sua saída. Crítico da entrada de Moro, o parlamentar afirmou que a decisão foi motivada por uma quebra de acordos internos previamente estabelecidos.

Segundo Giacobo, havia o compromisso de que o partido apoiaria, na disputa pelo governo estadual, o candidato indicado pelo governador Ratinho Júnior. Com a escolha de Moro como possível nome para o Executivo, esse alinhamento teria sido rompido, gerando insatisfação entre as lideranças locais.

O deputado destacou que sua posição sempre foi de fidelidade ao grupo político do governador e que não participou da decisão de filiar Moro com vistas a uma candidatura ao governo. Para ele, a mudança representa um desvio de rumo da sigla no estado.

Antes da definição da direção nacional, Giacobo chegou a se colocar como pré-candidato ao governo do Paraná e buscou viabilizar seu nome internamente. A estratégia incluía a tentativa de liderar um palanque alinhado ao senador Flávio Bolsonaro, figura influente dentro do partido.

No entanto, o nome do deputado não avançou. Uma pesquisa de intenção de voto contratada pela legenda chegou a testar sua candidatura, mas a divulgação dos resultados foi barrada por decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. A Corte entendeu que a forma como o levantamento foi estruturado poderia comprometer o equilíbrio da disputa.

Internamente, a possível candidatura de Giacobo também enfrentava resistência. Registros atribuídos a Flávio Bolsonaro indicavam que o deputado não teria apoio para disputar o governo, por orientação do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.

A relação entre Giacobo e Moro já era marcada por atritos anteriores. Após as eleições de 2022, o PL chegou a ingressar com ação na Justiça Eleitoral pedindo a cassação do mandato do senador, sob acusação de abuso de poder político e econômico. O argumento era de que a pré-campanha de Moro à Presidência teria lhe garantido vantagem indevida na disputa ao Senado.

As acusações, no entanto, foram rejeitadas tanto pelo Tribunal Regional Eleitoral quanto pelo Tribunal Superior Eleitoral, que consideraram improcedentes os pedidos apresentados pelo partido.

Com a saída do PL, Giacobo já sinalizou a interlocutores que pretende se filiar a outra legenda de direita alinhada ao grupo político de Ratinho Júnior. A movimentação indica a tentativa de reorganização das forças políticas no estado diante do novo cenário.

A entrada de Moro também teve impacto nas articulações eleitorais para 2026. Antes da mudança, havia negociações para uma aliança entre o PL e o grupo do governador, que poderia incluir a indicação do deputado Filipe Barros para o Senado em uma chapa liderada por um nome apoiado por Ratinho.

Esse arranjo, no entanto, foi inviabilizado com a decisão da direção nacional de apostar em Moro. A escolha acabou fechando espaço para a composição anteriormente discutida e ampliou o distanciamento entre o partido e o grupo do governador.

Além disso, o cenário se tornou ainda mais complexo após sinais de que Ratinho Júnior avalia uma candidatura à Presidência da República, o que altera o equilíbrio das alianças políticas tanto no estado quanto no plano nacional.

A crise no PL do Paraná expõe as tensões internas geradas pela definição de candidaturas e pela disputa de protagonismo dentro da direita. A saída em massa de prefeitos enfraquece a estrutura do partido no estado e pode ter reflexos diretos nas próximas eleições.

Ao mesmo tempo, a filiação de Moro reforça a estratégia da direção nacional de apostar em nomes de maior projeção, ainda que isso implique perdas regionais. O desfecho desse movimento deverá influenciar não apenas o cenário paranaense, mas também a configuração das alianças políticas em nível nacional nos próximos anos.

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil


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