A Marquês de Sapucaí será tomada pela energia da nova geração do samba nesta sexta-feira, quando doze escolas de samba mirins desfilam no Sambódromo, no Rio de Janeiro. A programação começa às dezessete horas e antecede o Sábado das Campeãs do Grupo Especial, reforçando o papel das agremiações infantis como espaços fundamentais de formação cultural, artística e social dentro do carnaval carioca.

O desfile das escolas mirins é tradicionalmente visto como um celeiro de talentos, onde crianças e adolescentes têm o primeiro contato com a dinâmica da avenida, aprendendo desde cedo os valores do samba, da coletividade e da disciplina. Além do espetáculo visual, o evento simboliza a continuidade das tradições carnavalescas e a renovação constante das grandes escolas do Rio.

A abertura da noite ficará a cargo da Infantes do Lins, agremiação que desenvolve projetos sociais no bairro do Lins de Vasconcelos, na zona norte da cidade. A escola utiliza o samba como instrumento de inclusão social e formação cidadã, oferecendo às crianças da comunidade a oportunidade de vivenciar a cultura carnavalesca de forma estruturada e educativa.

Na sequência, desfilam Herdeiros da Vila, Pimpolhos da Grande Rio, Tijuquinha do Borel, Estrelinha da Mocidade, Mangueira do Amanhã, Aprendizes do Salgueiro, Sonho do Beija-Flor, Filhos da Águia, Crias Imperatriz, Netinhos do Tuiuti e Virando Esperança. Cada uma dessas escolas leva para a avenida enredos lúdicos, fantasias coloridas e a empolgação característica do carnaval infantil.

A maioria das escolas mirins mantém ligação direta com agremiações tradicionais do Grupo Especial, funcionando como verdadeiras categorias de base do samba. A Herdeiros da Vila, por exemplo, é ligada à Vila Isabel, enquanto a Pimpolhos da Grande Rio representa o braço mirim da escola de Duque de Caxias. Já a Tijuquinha do Borel fortalece a identidade cultural da comunidade da Tijuca por meio do trabalho com crianças e adolescentes.

O mesmo ocorre com a Estrelinha da Mocidade, vinculada à Mocidade Independente de Padre Miguel, e com a Mangueira do Amanhã, que carrega o peso histórico da Estação Primeira de Mangueira. A Aprendizes do Salgueiro mantém viva a tradição do Salgueiro, enquanto a Sonho do Beija-Flor representa a escola de Nilópolis na formação de novos sambistas.

Também fazem parte desse processo a Filhos da Águia, herdeira da Portela, a Crias Imperatriz, ligada à Imperatriz Leopoldinense, e a Netinhos do Tuiuti, que representa o Paraíso do Tuiuti. A Virando Esperança, por sua vez, nasceu da Unidos do Viradouro, campeã do carnaval de dois mil e vinte e seis, reforçando o elo entre passado, presente e futuro do samba.

Além do aspecto cultural, o desfile exige atenção especial à mobilidade urbana. A Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro vai implantar um esquema especial para minimizar os impactos no trânsito da região central. As primeiras interdições no entorno do Sambódromo começam às onze horas da manhã de sexta-feira.

Às treze horas, será interditada a pista lateral da Avenida Presidente Vargas, no sentido Candelária, entre o entroncamento em frente ao prédio da Cedae e a Rua de Santana. A partir das quinze horas, novos fechamentos ocorrerão na Presidente Vargas, além de bloqueios na Avenida Salvador de Sá e em vias adjacentes, como as ruas Frei Caneca e Senhor de Matosinhos.

Já à meia-noite de sábado, a pista central da Avenida Presidente Vargas será interditada em trechos nos dois sentidos, ampliando o bloqueio viário para garantir a segurança do público e dos participantes. A CET-Rio recomenda que motoristas evitem a região e busquem rotas alternativas durante o período das interdições.

O desfile das escolas mirins reafirma o carnaval como espaço de educação, inclusão e transmissão de valores culturais. Mais do que uma prévia das grandes apresentações, a noite na Sapucaí celebra o futuro do samba e a formação de novas gerações que mantêm viva a maior festa popular do país.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


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