Um morador de Brumadinho e ex-estudante do curso de biologia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) receberá uma indenização de dez mil reais da mineradora Vale, como compensação por danos emocionais decorrentes do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, ocorrido em janeiro de dois mil e dezenove.

Na ação judicial, o ex-aluno relatou que, no dia da tragédia, estava em casa quando começou a receber ligações de amigos e familiares preocupados com sua segurança. O desespero se intensificou quando ele não conseguiu contato com seu pai e seu irmão, que estavam fora naquele momento.

Além do impacto direto, ele afirmou que, por ter participado de estudos sobre o desastre de Mariana em dois mil e quinze, o rompimento da barragem em sua própria cidade provocou um sofrimento ainda maior. Após o ocorrido, passou a apresentar crises de ansiedade, insônia, episódios de choro e dificuldades acadêmicas, que o levaram a trancar o mestrado na UFOP. Durante meses, recebeu acompanhamento psicológico e precisou usar medicamentos.

Mesmo não residindo na Zona de Autossalvamento (ZAS), área considerada de risco imediato, a Justiça reconheceu os abalos emocionais sofridos. O juiz destacou que, embora não tenha sido constatado um quadro psiquiátrico permanente, ficou comprovado o sofrimento emocional com reflexos significativos em sua vida pessoal, acadêmica e profissional.

A Vale foi condenada ao pagamento R$ 10.000.00 por danos morais, com correção monetária, além de arcar com metade das custas processuais e honorários advocatícios. A outra metade foi atribuída ao autor, mas sua cobrança foi suspensa em razão da concessão da justiça gratuita.

Foto: Washington Alves


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