O ex-comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, declarou nesta quarta-feira (22), durante audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), que mantém integralmente o teor do depoimento prestado à Polícia Federal (PF) em 2023, no qual relatou ter recebido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) uma proposta para anular o resultado das eleições presidenciais de 2022. Baptista Junior também afirmou que pretende complementar as informações prestadas anteriormente.

O depoimento prestado à PF integra o inquérito que investiga a trama golpista supostamente articulada por Bolsonaro e aliados, com o objetivo de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Baptista Junior, o ex-presidente apresentou uma minuta de decreto com teor inconstitucional, que previa a reversão do resultado eleitoral por meio de medidas de exceção, supostamente com apoio das Forças Armadas.

Durante a audiência no STF, o ex-comandante confirmou que a proposta foi levada diretamente por Bolsonaro em uma reunião privada, mas não detalhou se outros membros do alto comando militar estavam presentes no encontro. Ele afirmou que rejeitou a sugestão, classificando-a como “inadmissível” e fora dos marcos legais e institucionais.

A declaração de Baptista Junior reforça os elementos já reunidos pela Polícia Federal sobre o planejamento de um golpe de Estado após a derrota eleitoral de Bolsonaro. O conteúdo da audiência será incorporado ao inquérito em curso no STF, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Outros ex-integrantes das Forças Armadas também foram convocados a prestar esclarecimentos, em meio a apurações que envolvem militares da ativa e da reserva. A investigação aponta que o entorno de Bolsonaro cogitou ações ilegais para manter o ex-presidente no poder, inclusive com apoio logístico e institucional das Forças Armadas.

Foto: Rosinei Coutinho/STF

 


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