Após ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) nas redes sociais, o Partido da Causa Operária (PCO) foi incluído no inquérito das fake news pelo ministro Alexandre de Moraes, na tarde desta quinta-feira (2).

Moraes determinou o bloqueio das redes sociais do partido. Antes de a medida ser cumprida, porém, o PCO voltou ao ataque e pediu a dissolução do Supremo.

Houve tempo, também, para um post direcionado especificamente a Alexandre de Moraes. O partido chamou o ministro de “skinhead de toga”. A expressão “skinhead” significa, literalmente, “cabeça raspada”, e, apesar de ter surgido no Reino Unido nos anos 60 para representar um movimento de contracultura, está associada à violência no imaginário coletivo. No Brasil, o grupo mais famoso de skinheads foi o Carecas do ABC, em especial nos anos 1980 e 90.

A decisão de Moraes de incluir o partido no inquérito partiu justamente de ataques semelhantes. Em abril, por exemplo, o PCO saiu em defesa do deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo STF à prisão por ataques à própria corte. Em vídeo divulgado nas redes sociais oficiais, o presidente do partido, Rui Costa Pimenta, afirmou que o tribunal deveria ser extinto.

“Todos os tribunais do país vão utilizar essa mesma regra jurídica. Sabendo que o STF condenou uma pessoa porque essa pessoa fez transmissão na internet xingando os dirigentes do STF, isso aí vale nove anos de cadeia, vocês imaginem a repercussão completa, prática, que vai ter no sistema jurídico nacional”, disse, à época.

Na decisão desta quinta, Moraes determinou que a Polícia Federal deve intimar Pimenta a depor sobre as postagens em um prazo de até cinco dias. Enquanto isso, páginas do partido devem ser bloqueadas das redes Facebook, Instagram, Twitter, Telegram, YouTube e TikTok. Os conteúdos, porém, devem ser preservados, incluindo postagens eventualmente apagadas.

“O que se verifica é a existência de fortes indícios de que a infraestrutura partidária do PCO, partido político que recebe dinheiro público, tem sido indevida e reiteradamente utilizada com o objetivo de viabilizar e impulsionar a propagação das declarações criminosas, por meio dos perfis oficiais do próprio partido, divulgados em seu site na internet”, afirma o despacho do ministro. Moraes determinou, ainda, que o processo seja encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Após a divulgação da decisão do Supremo, o PCO passou a ser um dos assuntos mais comentados nas redes sociais no Brasil, especialmente entre bolsonaristas. Enquanto muitos diziam suspeitar de uma “manobra” para que o inquérito não ficasse restrito apenas a partidos e lideranças políticas de direita, o partido de extrema-esquerda recebeu apoio de outros militantes bolsonaristas.