O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, entregou nesta sexta-feira (29/8) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um documento com medidas emergenciais elaboradas pela indústria mineira para reduzir os efeitos da tarifa adicional de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A entrega ocorreu durante agenda oficial em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O principal pedido da FIEMG é a agilização e efetiva aplicação de medidas antidumping. Roscoe ressaltou que, embora haja processos em andamento, muitas vezes as medidas provisórias previstas em lei não são aplicadas, o que deixa a indústria brasileira vulnerável por meses. “É fundamental que, sempre que houver determinação preliminar confirmando a prática de dumping e o dano à indústria brasileira, os direitos antidumping provisórios sejam aplicados de forma imediata. Trata-se de proteger empresas, investimentos e empregos no Brasil”, destacou.

Ele citou os setores de aço e têxtil como exemplos claros do problema. “Apesar de dezenas de medidas em investigação ou vigentes, as importações da China aumentaram em 50% no primeiro semestre de 2025, a preços 10% menores”, disse. No caso da malha de poliéster, atualmente sob investigação, as importações cresceram 245% em relação a 2021, também com preços mais baixos.

Além do tema antidumping, o documento entregue ao presidente inclui medidas adicionais ao que o governo federal já estuda, entre elas a suspensão de prazos de obrigações ambientais, como taxas de fiscalização, nos moldes do que foi feito durante a pandemia de COVID-19. Também sugere o parcelamento de contas de energia e flexibilização da demanda contratada para aliviar custos imediatos.

Na área trabalhista, o setor propõe alternativas como antecipação de férias individuais ou coletivas, banco de horas com até 18 meses de compensação, suspensão do recolhimento do FGTS e a possibilidade de suspensão temporária de contratos de trabalho para cursos de qualificação financiados pelo empregador.

As propostas incluem ainda flexibilização tributária, como a postergação do recolhimento de IRPJ e CSLL, majoração dos créditos do Reintegra de 0,10% para 3% e flexibilização da trava de compensação de créditos fiscais.

Segundo Roscoe, as medidas contam com apoio do Fórum Estadual Pró-Emprego e Renda, que reúne entidades empresariais e centrais sindicais. “A adoção rápida dessas medidas é essencial para evitar danos irreversíveis a setores estratégicos, como o aço e a indústria têxtil”, alertou.

Foto: Ricardo Stuckert


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