A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) promoveu, nesta sexta-feira (25), um encontro estratégico para discutir temas cruciais ao futuro do setor industrial. Organizado pelo Conselho de Relações do Trabalho e Gestão Estratégica de Pessoas, o evento reuniu gestores, especialistas e representantes empresariais para abordar assuntos como jornada de trabalho, saúde mental e segurança jurídica.
Áureo Calçado, presidente do Conselho, abriu a reunião ressaltando a importância do diálogo contínuo entre o setor produtivo e os órgãos reguladores. “Ainda enfrentamos grandes desafios estruturais, como a deficiência logística e os altos custos de transporte. O adiamento da NR1 pode ser uma oportunidade para preparar melhor as empresas. Seguimos confiantes de que mudanças importantes ocorrerão ao longo deste ano“, afirmou.
Um dos principais temas debatidos foi a redução da jornada de trabalho e seus impactos socioeconômicos, análise conduzida por João Gabriel Pio, economista-chefe da FIEMG. Ele destacou que estudos aprofundados, inclusive de instituições como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), são fundamentais para entender os efeitos da proposta sobre a produtividade das empresas.
A saúde mental no ambiente de trabalho também foi pauta de destaque. Cristiane Scarpelli, gerente de Segurança e Saúde para a Indústria da FIEMG, alertou para a necessidade de identificar e avaliar riscos psicossociais de maneira rigorosa, evitando abordagens superficiais. “Ambientes de trabalho saudáveis são essenciais para a preservação da saúde mental dos colaboradores”, afirmou.
No campo jurídico-tributário, Rita Eliza Costa, gerente de Assuntos Tributários da FIEMG, explicou o impacto do Tema 1090 do STJ, que trata da validade dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) no Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP). Ela reforçou que manter registros técnicos claros é essencial para a proteção dos trabalhadores e para eventuais isenções de contribuições adicionais.
Fernanda Ribas, gerente de Assuntos Trabalhistas, apresentou propostas da FIEMG encaminhadas à Vice-Presidência da República, com foco na modernização das leis trabalhistas e no fortalecimento da saúde e segurança no trabalho. Entre as propostas, sugeriu-se a inclusão de programas de qualificação profissional para beneficiários do Bolsa Família após seis meses de recebimento do benefício.
Finalizando o encontro, Flávia Santoro, coordenadora do Contencioso Trabalhista da FIEMG, alertou sobre as notificações da Advocacia-Geral da União (AGU) relativas à conduta culposa de empregadores em acidentes de trabalho. Ela enfatizou a importância da prevenção e da produção de provas documentais, como registros de entrega e treinamento de EPIs, para proteger as empresas em eventuais ações regressivas.
Fotos: Divulgação FIEMG

