A possível filiação da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ao Partido Socialista Brasileiro passou a ser tratada como praticamente certa por aliados da legenda e por integrantes da base do governo federal. A movimentação faz parte das articulações para a formação de uma chapa de esquerda competitiva em São Paulo nas eleições de dois mil e vinte e seis, especialmente na disputa pelo Senado e pelo governo estadual.

A expectativa dentro do PSB é que a filiação seja oficializada nas próximas semanas. O movimento ocorre em razão do posicionamento do Movimento Democrático Brasileiro em São Paulo, que deverá apoiar a tentativa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Nesse cenário, Simone Tebet não teria espaço para integrar o palanque da esquerda permanecendo no MDB, o que torna necessária a mudança de partido para viabilizar sua candidatura.

Nos bastidores do governo federal, a ida da ministra para o PSB é considerada resultado de um entendimento político envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lideranças da legenda. O objetivo seria fortalecer o campo governista em São Paulo, estado considerado estratégico para o projeto eleitoral da esquerda tanto na disputa pelo governo quanto nas vagas ao Senado.

Simone Tebet, que é natural de Mato Grosso do Sul, deverá transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo para disputar uma das duas cadeiras ao Senado pelo estado. Aliados afirmam que ela deve deixar o comando do Ministério do Planejamento até o fim deste mês para se dedicar à pré-campanha e às articulações partidárias que antecedem a disputa eleitoral.

Ao comentar a possibilidade de candidatura, a ministra afirmou recentemente que aceitou a missão após receber um pedido direto do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin, que é filiado ao PSB. A declaração foi interpretada por aliados como um indicativo claro de que sua participação na chapa já está definida.

Paralelamente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também se prepara para deixar o governo federal para disputar o governo de São Paulo. A expectativa é que sua saída do ministério ocorra nos próximos dias, seguida de um evento político em São Paulo que deve contar com a presença de Lula e de outras lideranças da base governista para marcar o início oficial de sua pré-candidatura.

Apesar desses movimentos já considerados praticamente definidos, a formação completa da chapa ainda depende de negociações envolvendo outros nomes do governo. Dois ministros aparecem como possíveis integrantes da composição, mas ainda não há decisão final sobre seus papéis na disputa.

Um deles é o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, que integra o PSB e tem manifestado interesse em disputar a segunda vaga ao Senado. Segundo aliados, França aposta na experiência política acumulada no estado para defender sua inclusão na chapa. Ele já ocupou cargos relevantes em São Paulo e chegou a disputar o governo estadual em dois mil e dezoito, quando perdeu no segundo turno para João Doria.

Dentro do PSB há posições diferentes sobre essa possibilidade. Parte da legenda considera improvável que o partido fique com as duas vagas ao Senado, já que Simone Tebet deverá se filiar à sigla justamente para viabilizar sua candidatura. Outra ala, entretanto, defende que França também seja escolhido, argumentando que sua trajetória política no estado poderia fortalecer a chapa.

Outro nome citado nas discussões é o da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Atualmente filiada à Rede Sustentabilidade, ela também é apontada como possível candidata ao Senado ou até mesmo como opção para compor a chapa majoritária em outra posição.

A situação de Marina Silva, porém, é considerada mais incerta. Nos últimos anos, a Rede enfrentou disputas internas que fragilizaram a legenda, e aliados de diferentes partidos tentam atrair a ministra para novas filiações. Integrantes do Partido dos Trabalhadores em São Paulo defendem que ela se filie à sigla, enquanto lideranças do PSB também demonstraram interesse em sua entrada no partido.

Apesar dessas articulações, Marina Silva ainda não sinalizou qual caminho pretende seguir. Outra possibilidade discutida nos bastidores é que ela permaneça na Rede, especialmente após ter obtido decisão judicial favorável em disputa interna com o grupo liderado por Heloísa Helena.

Além da segunda vaga ao Senado, outro ponto ainda indefinido na chapa é a escolha do candidato a vice-governador na eventual candidatura de Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes. Tanto Márcio França quanto Marina Silva aparecem entre os nomes citados para ocupar essa posição.

Aliados de Haddad afirmam que a decisão sobre o vice deverá levar em conta fatores políticos e pessoais, incluindo a afinidade entre os integrantes da chapa. Segundo um interlocutor próximo do ministro, a escolha não será apenas uma definição partidária, mas também estratégica para consolidar a aliança no estado.

Foto: Diogo Zacarias/MPO


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