O senador Flávio Bolsonaro passou a considerar a possibilidade de lançar um nome alternativo ao governo de Minas Gerais, ampliando as incertezas no campo da direita no estado. Anotações atribuídas ao parlamentar indicaram reservas em relação ao vice-governador Mateus Simões, do PSD, apontado como possível candidato apoiado pelo governador Romeu Zema e por lideranças bolsonaristas locais. No documento, Simões teria sido descrito como alguém que poderia “puxar para baixo” o projeto presidencial do senador.
A divulgação das notas inseriu um novo ator no cenário mineiro: o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Flávio Roscoe. Empresário do setor têxtil e em segundo mandato à frente da entidade desde dois mil e dezoito, Roscoe nunca disputou eleição, mas ganhou visibilidade ao atuar como interlocutor do setor produtivo junto ao governo estadual, defendendo pautas de ajuste fiscal e ambiente favorável aos negócios.
Dentro do Partido Liberal, três hipóteses estão em debate: apoiar a candidatura de Simões, embarcar na do senador Cleitinho ou lançar um nome próprio. Nesse contexto, Roscoe passou a ser citado como alternativa capaz de unificar diferentes alas caso o impasse persista.
Dirigentes avaliam que um perfil empresarial poderia reduzir resistências internas e evitar que o partido fique subordinado ao projeto presidencial de Zema ou aprofunde disputas no bolsonarismo mineiro. Flávio Bolsonaro afirmou, após o vazamento das anotações, que os registros não refletem posições pessoais definitivas, mas opiniões colhidas em conversas políticas.
Além de presidir a Fiemg, Roscoe ocupa a vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria e dirige o Conselho de Infraestrutura da entidade, ampliando sua atuação nacional. Já comandou o Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas de Minas Gerais e participa de conselhos ligados a crédito e formação empresarial.
Eventual candidatura, porém, enfrentaria desgaste. Em entrevista no ano passado, Roscoe declarou que “idiota é quem trabalha com carteira assinada”, comentário que gerou críticas e pode ser explorado por adversários. Sob sua gestão, a Fiemg também atuou como amicus curiae em ações no Supremo Tribunal Federal relacionadas à suspensão da plataforma X no Brasil e divulgou manifesto defendendo revisão de medidas adotadas no inquérito das fake news.
A exposição das anotações evidenciou divisões internas no PL mineiro. Parte da sigla avalia que Simões enfrenta dificuldades eleitorais e que sua ligação com Zema poderia comprometer o desempenho do bolsonarismo. O deputado Bruno Engler declarou que qualquer candidato apoiado pelo partido precisará assumir compromisso explícito com o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro no estado.
Foto: Lucas Nolasco

