PT e PSB, pilares da aliança que levou Luiz Inácio Lula da Silva de volta ao Palácio do Planalto em dois mil e vinte e dois, acumulam divergências na pré-campanha eleitoral e ampliam ruídos tanto na esfera nacional quanto em estados estratégicos. O partido do vice-presidente Geraldo Alckmin estabeleceu como prioridades a manutenção dele na vice-presidência e a consolidação de palanques competitivos, especialmente em Pernambuco. Dirigentes socialistas relatam incômodo com o que classificam como “deslealdade” em movimentos articulados por setores do próprio governo.

Presidente do PSB e prefeito do Recife, João Campos, que é pré-candidato ao governo pernambucano, atribui parte do chamado fogo amigo ao ministro da Casa Civil, Rui Costa. Segundo interlocutores, Campos avalia que o ministro atua para que Lula adote posição de neutralidade na disputa local, o que poderia resultar em palanque duplo no estado, dividindo apoio entre ele e a governadora Raquel Lyra, do PSD, que buscará a reeleição.

O prefeito tem levado suas queixas a integrantes do primeiro escalão e a lideranças petistas, como a ministra Gleisi Hoffmann, o presidente do PT, Edinho Silva, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Entre petistas, a avaliação é de que um palanque duplo não seria o cenário ideal, mas há quem defenda cautela diante do peso político das duas lideranças em Pernambuco.

Aliados de Lula afirmam que o presidente tende a evitar envolvimento direto neste momento, priorizando a construção de uma base ampla para enfrentar adversários como o senador Flávio Bolsonaro. Em evento recente, o próprio presidente afirmou que o PT precisa manter acordos nos estados e não pode abrir mão de alianças estratégicas.

No Carnaval, Lula esteve no Recife e participou do tradicional bloco Galo da Madrugada ao lado de João Campos e Raquel Lyra, gesto interpretado como tentativa de equilíbrio. Pesquisa Datafolha divulgada em fevereiro apontou Campos com quarenta e sete por cento das intenções de voto, contra trinta e cinco por cento da governadora, indicando redução na diferença entre ambos.

O desconforto do PSB não se restringe a Pernambuco. Dirigentes mencionam possíveis reflexos na Bahia, onde o partido mantém interlocução com ACM Neto, adversário do governador Jerônimo Rodrigues. No Pará, o PSB lançará o prefeito de Ananindeua contra candidata apoiada por aliados do governo federal. Em São Paulo, o PT trabalha com Fernando Haddad como opção ao governo estadual, enquanto o PSB aposta em Márcio França, e nomes como Marina Silva e Simone Tebet também circulam.

Outra frente de tensão envolve a vice-presidência. Setores aliados de Lula defendem oferecer a vaga ao MDB, hipótese que provoca reação entre socialistas. Para o líder do PSB na Câmara, Jonas Donizette, seria desrespeito substituir Alckmin. “Quanto mais um vice leal e competente como Alckmin. Acho um desrespeito com a figura dele o que o PT está fazendo”, afirmou.

Apesar dos ruídos, João Campos sustenta que a aliança permanece majoritariamente harmônica e que a relação com Lula é sólida, negando que o PSB cogite barganhas políticas.

Foto: Ricardo Stuckert/PR


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