Dois dias após a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a chamada Papudinha, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, neste sábado, que a unificação da direita em torno de um único palanque presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocorrerá “no momento certo”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar, que se apresenta como pré-candidato ao Palácio do Planalto, criticou a prisão do pai e voltou a atacar o governo petista, ao mesmo tempo em que pregou cautela na articulação política do campo conservador.
Segundo Flávio, a formação de um palanque conjunto liderado pela direita depende do amadurecimento do cenário político e da superação de divergências internas. O senador defendeu que a união deve ocorrer de forma estratégica e no tempo adequado, reunindo familiares e lideranças que hoje aparecem como possíveis presidenciáveis ou são citadas como nomes viáveis para a disputa nacional. Entre eles, mencionou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os governadores Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Na gravação, Flávio afirmou que, enquanto a liberdade do ex-presidente não é possível, a direita precisa se organizar para apresentar uma alternativa eleitoral sólida ao atual governo. Segundo ele, a presença conjunta dessas lideranças em um mesmo palanque simbolizaria a união em torno de uma causa comum, que seria, em suas palavras, “resgatar o Brasil das garras do governo atual”. O senador pediu paciência aos apoiadores e reforçou que esse movimento ocorrerá no momento politicamente mais oportuno.
O parlamentar também fez elogios diretos a Michelle Bolsonaro e a Tarcísio de Freitas, destacando a importância de ambos para o projeto político da direita. Para Flávio, não é possível falar em união nacional sem que, antes, haja coesão entre os grupos conservadores. Ele afirmou que críticas internas e disputas prematuras apenas enfraquecem o campo político que se opõe ao governo federal.
A declaração ocorre em um contexto delicado para o bolsonarismo. Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Jair Bolsonaro foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local conhecido como Papudinha por ficar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda. No mesmo espaço já se encontram o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, também investigados por envolvimento na trama golpista.
O anúncio de que Flávio foi escolhido pelo pai como pré-candidato à Presidência provocou impactos imediatos no tabuleiro político, especialmente entre partidos do Centrão. Caso a candidatura seja confirmada, a tendência é que os palanques estaduais sofram ajustes significativos, com reflexos diretos nas alianças regionais planejadas para 2026.
Nos bastidores, Flávio enfrenta resistências de aliados que antes eram vistos como potenciais parceiros estratégicos. Tarcísio de Freitas, por exemplo, citado por partidos do Centrão como possível presidenciável, tem demonstrado apoio discreto ao senador. Além disso, Michelle Bolsonaro fez acenos públicos ao governador paulista, enquanto Romeu Zema resistiu a retirar sua própria pré-candidatura para apoiar Flávio ou compor uma chapa como vice.
Em cenários anteriores, quando Tarcísio era tratado como principal nome do bolsonarismo, houve negociações para ampliar o arco de alianças, inclusive com setores mais distantes da direita. Prefeitos e governadores de partidos de centro chegaram a discutir palanques regionais em estados estratégicos. Com a mudança de rota, lideranças partidárias agora avaliam alternativas e demonstram cautela em relação ao projeto eleitoral de Flávio.
Pesquisas recentes indicam algum fôlego inicial para o senador, mas dirigentes do Centrão afirmam que ainda é cedo para medir seu real potencial eleitoral. Eles avaliam que Flávio precisará demonstrar viabilidade política, capacidade de articulação e crescimento nas intenções de voto para consolidar sua posição. Diante da decisão de Jair Bolsonaro de lançar o filho, os partidos seguem divididos, sem consenso sobre o melhor caminho a seguir na disputa presidencial de 2026.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

