Na reunião com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio da Alvorada, os comandantes do Exército, da Aeronáutica e da Marinha desaconselharam qualquer reação à decisão de Alexandre de Moraes, que condenou o PL ao pagamento de multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé.

Ao presidente, eles disseram não haver consenso no Alto Comando sobre a aplicação do artigo 142, como querem os manifestantes que se aglomeram em frente aos quartéis — alguns pedem a prisão de Moraes ou a dissolução do Supremo.

Dois integrantes da elite militar se disseram constrangidos pelos protestos.Também não há disposição entre os generais para uma eventual manifestação pública das Forças Armadas contra o ministro.
A postura dos militares se alinha a de vários ministros civis, que se resignaram e preferem discutir a formação de uma oposição consistente ao governo Lula — de preferência, sem a presença dos aloprados bolsonaristas, a quem atribuem a derrota.

Interlocução com os militares

O grupo técnico da Defesa é o único, até agora, a não nomear seus integrantes — o que pode acontecer ainda hoje. A dificuldade resulta da resistência de setores da caserna, especialmente entre oficiais de segundo escalão, a uma nova gestão Lula.

Para contornar o problema, o presidente eleito escalou um antigo aliado, o general da reserva Marco Edson Gonçalves Dias, para fazer a interlocução com os militares.

Gonçalves Dias já convidou para integrar o GT os ex-comandantes da Aeronáutica Juniti Saito e do Exército Enzo Peri. Também foram contatados generais que integraram o governo Bolsonaro, como o ex-ministro Fernando Azevedo e Silva e o ex-comandante Edson Pujol, ambos respeitados internamente e considerados de perfil “moderado”.

Em março de 2021, Bolsonaro demitiu Azevedo, o que levou os três comandantes a deixarem seus cargos, numa crise sem precedentes em período democrático.

O objetivo de Lula é garantir uma transição pacífica numa área que foi extremamente politizada por Bolsonaro. Essa demanda vem do próprio Alto Comando, que tem tradição legalista e resiste a ‘eventuais aventuras’.

O petista quer a ajuda dos generais para ‘segurar os coronéis’, que têm ecoado de forma mais contundente — inclusive nas redes sociais — a rejeição ao retorno do PT. Lula sabe que os generais tendem a atuar mais politicamente, na expectativa de ganharem algumas estrelas ou cargos, e também de não perderem privilégios.

O presidente eleito promete não desfazer a reforma previdenciária dos militares aprovada na atual gestão, mas há dúvidas sobre qual será o comportamento do PT neste tema no Congresso.

A partir do dia 21, os comandantes militares devem entregar seus cargos aos substitutos, que serão anunciados pelo gabinete de transição. A ‘troca de guarda’ antes da nomeação do ministro da Defesa busca enviar também um sinal de autonomia institucional, mas pode soar naturalmente como insubordinação.

O cabo de guerra inclui também o esvaziamento do GSI a partir da segunda quinzena de dezembro, forçando Lula a criar novos cargos de confiança para acomodar militares.


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