O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para evitar o bloqueio de recursos do partido decorrente de uma decisão do presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, devido uma ação movida pelo PL para tentar invalidar votos depositados em milhares de urnas no segundo turno das eleições, realizado em 30 de outubro.
Republicanos, PL e Progressistas integram a coligação da chapa de Jair Bolsonaro (PL), candidato derrotado à reeleição.
“Não tenho nada a ver com isso, [a legenda] só está ali por uma formalidade. Eu não fui consultado se era para entrar com essa ação ou não. E, se fosse, teria dito que não. Nós não comungamos dessa opinião”, disse Pereira à CNN Brasil nesta sexta-feira (25).
“Fizeram isso sem ouvir os outros partidos”, disse o dirigente do Republicanos em referência à ação movida pelo PL, que resultou na aplicação de uma multa de R$ 22,9 milhões a todos os partidos da coligação “Pelo Bem do Brasil” por “litigância de má fé”.
Segundo Pereira, o PL tem procuração para se manifestar em nome da coligação, mas que, no caso específico, os demais partidos deveriam ter sido ouvidos antes que o questionamento sobre a higidez do pleito fosse levado ao TSE.
PP protesta
O presidente do PP, Cláudio Cajado (BA), disse que não autorizou Valdemar Costa Neto, presidente do PL, a entrar com a ação em nome da coligação do presidente Jair Bolsonaro, e que irá recorrer para que a legenda seja excluída da punição determinada ao PL.
“O Partido Progressista vai apresentar recurso porque nós não autorizamos a ação”, disse Cajado em nota. “O presidente Valdemar como representante da coligação entrou em nome da coligação, mas não tivemos nenhuma participação nesse processo, sequer fomos intimados ou citados, e como podemos ser penalizados?”, questionou. Segundo ele, os advogados do partido irão recorrer ainda nesta quinta-feira.
Cajado questiona a legitimidade de Valdemar de entrar com uma ação em nome da coligação após a eleição. “Faltou intimação dos partidos da coligação (Progressistas e Republicanos) para se manifestarem; os poderes do representante [PL] só valem até a eleição – as eleições já terminaram e o resultado foi admitido pelos presidentes dos partidos”, escreveu o presidente do PP.
“A ata de eleição do representante da coligação não pode ser um cheque em branco”, disse.

