Marco Aurélio Carone
Com o fim do primeiro turno das eleições em Belo Horizonte, que definiu a disputa entre Fuad Noman (PSD) e Bruno Engler (PL), as campanhas agora buscam atrair os eleitores que votaram em outros candidatos. Fuad Noman, atual prefeito, tenta consolidar alianças com partidos de esquerda, enquanto Bruno Engler fortalece sua base com o apoio do bolsonarismo e do governador Romeu Zema (Novo).
Bruno Engler já assegurou o apoio de Zema, que deve se envolver mais ativamente no segundo turno, articulado pelo vice-governador, Mateus Simões. Além disso, Engler conta com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que participou de eventos em setembro e deve retornar à capital mineira na reta final. Uma figura de destaque que Engler tenta atrair é Mauro Tramonte (Republicanos), que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com uma expressiva votação. Apesar de Tramonte ainda não ter declarado publicamente apoio a nenhum dos candidatos, seu partido tende a se alinhar com Engler, mas a decisão oficial ainda não foi tomada.
O apoio de Tramonte é visto como crucial por ambos os lados, dado seu apelo popular. Durante o primeiro turno, Tramonte manteve uma posição mais moderada, o que pode torná-lo um aliado valioso na corrida final, dependendo de como decidir se posicionar.
Enquanto isso, Fuad Noman também busca ampliar suas alianças. Rogério Correia (PT), declarou apoio à reeleição de Fuad, destacando a importância de formar uma frente ampla contra o bolsonarismo. “Uma vitória do bolsonarismo em Belo Horizonte seria uma tragédia nacional”, afirmou Correia. Além do PT, outros partidos de esquerda, como PSOL, Rede e PV, já formalizaram apoio ao atual prefeito.
Apesar do apoio da esquerda, a relação entre o PT e Fuad Noman não é completamente harmoniosa. Cássio Soares, coordenador da campanha de Fuad, expressou certa insatisfação com a postura agressiva de Rogério Correia durante o primeiro turno. “O principal apoio que poderíamos ter tido era uma postura menos agressiva do candidato petista, o que não aconteceu“, disse Soares.
Ainda assim, Fuad mantém sua estratégia de se posicionar como um candidato de centro, buscando atrair eleitores que rejeitam tanto o radicalismo da direita quanto a polarização da esquerda. A campanha de Fuad continua focada em sua gestão e nas obras realizadas na cidade, evitando se associar diretamente a figuras políticas de esquerda.
Outros candidatos bem votados no primeiro turno também são alvo das campanhas. Gabriel Azevedo (MDB), que obteve 133 mil votos (10,5% dos válidos), afirmou estar dialogando com partidos, mas há indicações de que ele pode optar pela neutralidade. Duda Salabert (PDT), que ficou em quinto lugar com 7,6% dos votos, ainda não anunciou seu apoio oficialmente, mas é provável que o PDT se alinhe com Fuad, especialmente porque o vereador Bruno Miranda (PDT) foi líder do governo na gestão de Noman.
Com o segundo turno se aproximando, Fuad Noman e Bruno Engler intensificam suas estratégias para formar alianças que podem definir o resultado final. O apoio de figuras influentes como Tramonte será decisivo na reta final.

