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Por Rafael Balago

O escritor Olavo de Carvalho foi sepultado na tarde de quarta-feira (26), após uma cerimônia restrita a familiares e amigos em um cemitério de Petersburg, no interior da Virgínia (EUA).

O funeral começou às 15h (17h em Brasília). Cerca de 30 pessoas estiveram presentes, incluindo o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster, o ex-ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o blogueiro Allan dos Santos, foragido da Justiça no Brasil.

Santos teve a prisão e a extradição decretada em 5 de outubro, por causa de um inquérito que apura a existência de uma milícia digital para atacar a democracia e as instituições.

Henri Carrieres, genro de Olavo e funcionário da embaixada brasileira em Washington, também esteve presente.

A imprensa foi impedida de acompanhar o funeral dentro do cemitério por um segurança. A Folha seguiu do lado de fora —o local tem muros baixos, com alguns trechos quebrados.

A cerimônia, celebrada por um padre, foi realizada ao ar livre, sob uma tenda azul, e a maioria dos participantes não usava máscaras —o governo da Virgínia recomenda o uso da proteção em funerais.

De longe, foi possível ouvir algumas orações. O cemitério, chamado St. Joseph, é ligado à igreja de mesmo nome.

O funeral durou cerca de 40 minutos e a família não presenciou o momento do enterro. Um segurança disse que esse é procedimento normal e que cabe aos parentes decidir acompanhar ou não a descida do caixão.

O sepultamento foi concluído perto das 17h (19h em Brasília). Uma enorme placa, de cor dourada, foi colocada em cima do caixão, antes de a terra ser despejada com ajuda de um trator. Uma coroa de flores foi deixada perto do túmulo, ainda sem lápide.​ A coroa de flores também não tinha identificação.

O cemitério fica nos arredores de Petersburg, cidade de 31 mil habitantes, e a 40 km da capital do estado, Richmond. Olavo vivia na região desde 2005. É vizinho de outros cemitérios, em uma área pouco povoada.

​​​Guru do governo Bolsonaro, Olavo morreu na segunda (24), aos 74 anos. O falecimento foi anunciado pela família nos perfis oficiais do escritor nas redes sociais, sem informar a causa.

A filha do escritor Heloísa de Carvalho afirmou que o pai morreu em decorrência da Covid-19. Já o médico particular de Olavo, Ahmed Youssif El Tassa, nega.

Ao jornal O Globo ele afirma que o escritor morreu em decorrência de insuficiência respiratória aguda causada por quadro de enfisema pulmonar associado à insuficiência cardíaca congestiva, à pneumonia bacteriana e a uma infecção generalizada.

A Folha procurou o hospital que atendeu Olavo, mas não obteve resposta sobre a causa da morte.

O escritor sempre foi um dos principais porta-vozes em suas redes sociais dentre aqueles que contestam os dados sobre mortes e infectados pelo coronavírus, assim como Bolsonaro, símbolo do movimento negacionista no país.

“O medo de um suposto vírus mortífero não passa de historinha de terror para acovardar a população e fazê-la aceitar a escravidão como um presente de Papai Noel”, disse Olavo, por exemplo, em 2020.

Olavo se mudou para os EUA em 2005. Morando na Virgínia, por vídeo, criou um curso online de filosofia que, segundo estimativas de amigos, formou mais de 20 mil pessoas, tornando-se uma de suas principais fontes de renda. Entre seus alunos estiveram diversas autoridades que depois comporiam o governo de Jair Bolsonaro.

Ele popularizou no debate público brasileiro o conceito do “marxismo cultural”, criado pela direita americana com contornos de teoria conspiratória. No entanto, nos últimos meses, vinha fazendo críticas públicas ao presidente Jair Bolsonaro.

Fonte: Folha de São Paulo


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