O general Gustavo Dutra, ex-comandante militar do Palácio do Planalto, afirmou nesta sexta-feira (31) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, estava “praticamente vazio” no dia 6 de janeiro de 2023 — dois dias antes dos ataques golpistas de 8 de janeiro.
Dutra depôs como testemunha de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, então secretário de Segurança Pública do Distrito Federal à época dos atos. Segundo o general, ele próprio comunicou a Torres sobre a condição do acampamento, indicando que restavam poucas pessoas no local. “Eu mostrei pro secretário Anderson Torres que o acampamento estava praticamente vazio. Havia 200, duzentas e poucas pessoas. E a maior parte das pessoas que ainda estavam ali eram em situação de rua. E eu pedia o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Social”, relatou.
Na mesma audiência no STF, a atual secretária de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, Ana Paula Marra, afirmou que Dutra e Torres discutiram a possibilidade de pedir mandados de prisão para os líderes do acampamento.
“O general Dutra e o secretário Anderson Torres estavam falando de tentar expedir mandados de prisão para os líderes que estavam no acampamento”, declarou. O Comando Militar do Planalto, à época sob responsabilidade de Dutra, engloba o Distrito Federal, Goiás, além de parte de Minas Gerais e Tocantins. O general foi exonerado do cargo em abril de 2023.
Foto: Brenno Carvalho

