A ex-ministra das Relações Institucionais e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann, defendeu a necessidade de discutir reformas no Judiciário após a conclusão das eleições deste ano. Em entrevista, ela afirmou que o debate deve ocorrer de forma mais ampla, incluindo também mudanças em outras instituições do país.
Segundo Gleisi, o momento atual exige cautela, mas será necessário, no período pós-eleitoral, refletir sobre formas de modernizar e fortalecer o funcionamento das estruturas institucionais brasileiras. Ela destacou que a reforma não deve se limitar ao Judiciário, mas envolver também o Legislativo e o sistema político como um todo.
A declaração ocorreu no contexto da repercussão do caso envolvendo o banco Master, que trouxe à tona relações entre o empresário Daniel Vorcaro e autoridades. Para Gleisi, antes de qualquer mudança estrutural, é fundamental que as pessoas citadas expliquem seus vínculos e eventuais benefícios obtidos.
A ex-ministra afirmou que a transparência é essencial para o avanço do debate público e que a prestação de contas deve ser um ponto de partida para qualquer discussão institucional. Ela também criticou a origem do caso, associando os fatos a decisões tomadas em gestões anteriores.
Gleisi ressaltou que o governo atual não teme os desdobramentos das investigações e afirmou que a condução do tema não representa risco político para a atual administração. Segundo ela, a oposição deve ter cautela ao explorar o assunto, considerando as origens do caso.
Durante a entrevista, a pré-candidata também analisou o cenário eleitoral e avaliou que há uma forte polarização política no país. Na visão dela, candidaturas alternativas tendem a ter menor espaço na disputa, diante da consolidação de polos principais.
Ela citou o nome de Ronaldo Caiado como exemplo de candidatura que pode enfrentar dificuldades para crescer no cenário eleitoral. Para Gleisi, esse tipo de movimento tende a ocupar posições secundárias na disputa, sem protagonismo efetivo.
A ex-ministra reforçou que o debate sobre reformas institucionais deverá ganhar força após as eleições, quando haverá maior espaço para discussões estruturais sem a influência direta do calendário eleitoral.
Foto: Gil Ferreira/SRI-PR

