A presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, está confirmada na próxima reforma ministerial do governo Lula, prevista para ocorrer até março. Gleisi assumirá o comando da Secretaria-Geral da Presidência, atualmente liderada por Márcio Macêdo, pasta responsável pela interlocução entre o Palácio do Planalto e os movimentos sociais.
Com sua ida ao ministério, o PT terá um presidente interino até as eleições internas da sigla, marcadas para 6 de julho, quando serão renovadas as direções nacional, estadual e municipal. Entre os nomes cogitados para o mandato-tampão estão José Guimarães (CE), líder do governo na Câmara, e o senador Humberto Costa (PE), que deve assumir a segunda vice-presidência do Senado com a esperada eleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A decisão final passará pelo crivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já que o interino será responsável por conduzir o Processo de Eleição Direta (PED) do partido.
Apesar das especulações, Gleisi tem maior proximidade com Guimarães. No entanto, Lula tem planos para o futuro do partido e quer que Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara e aliado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assuma a presidência do PT na segunda metade de seu governo. Essa escolha representaria uma guinada estratégica no partido, buscando maior aproximação com o centro político. Caso Lula decida não concorrer à reeleição em 2026, Edinho, alinhado a Haddad, seria peça-chave para pavimentar o caminho do ministro como candidato presidencial.
Embora Gleisi vá reforçar a equipe ministerial, o PT deve perder espaço na Esplanada. A saída de Cida Gonçalves do Ministério das Mulheres já é dada como certa, e as mudanças na composição ministerial visam consolidar alianças políticas com partidos do Centrão para 2026. Atualmente, o PT comanda 11 dos 38 ministérios, mas Lula pretende redistribuir cargos para fortalecer essas alianças.
A ida de Gleisi para a Secretaria-Geral também deixa em aberto o futuro de Márcio Macêdo, que goza de prestígio junto ao presidente. Lula considera redirecionar Macêdo para outra função estratégica dentro do governo, dada sua experiência como tesoureiro do partido e coordenador da campanha presidencial de 2022. Ainda assim, interlocutores do Planalto reconhecem a necessidade de um perfil mais próximo dos movimentos sociais para a pasta, principalmente diante dos desafios da segunda metade do mandato.
Outra pasta cogitada para Gleisi foi o Desenvolvimento Social, que gerencia o Bolsa Família, programa emblemático do governo. No entanto, ao que tudo indica, Wellington Dias permanecerá no cargo. O ministério também é alvo de interesse do PSD, que busca emplacar o deputado Antônio Brito como novo titular. Lula, contudo, tende a manter sob controle petista áreas estratégicas como o Desenvolvimento Social, Educação e Casa Civil.
O cenário político para o governo e o PT ficou mais desafiador após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que apontou queda na popularidade do governo, inclusive entre eleitorados tradicionais, como os de renda de até dois salários mínimos e os do Nordeste. A pesquisa acendeu um alerta no Planalto, indicando a necessidade de ajustes políticos e administrativos.
No PT, a presidência interina enfrentará dificuldades devido às divisões internas. A corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), que inclui Gleisi e Lula, está dividida sobre a indicação de Edinho Silva para o comando do partido. Essa divergência reflete o desafio de unir a legenda enquanto busca ampliar sua base de apoio político.
Desde julho de 2017 na presidência do PT, Gleisi desempenhou um papel central no partido, sendo um contraponto às políticas econômicas de Fernando Haddad, como demonstrado em dezembro de 2023, quando uma resolução petista criticou o arcabouço fiscal do ministro, classificando-o como “austericídio fiscal”. Sua saída da presidência marca o fim de uma gestão marcada por embates internos e posicionamentos firmes.
A reforma ministerial, que deve ocorrer após as eleições da presidência da Câmara e do Senado no dia 1º de fevereiro, será usada por Lula como instrumento para consolidar acordos políticos visando 2026. A substituição de Paulo Pimenta por Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação Social já deu início a essas mudanças, e novos ajustes são esperados.
Com a entrada de Gleisi no ministério, Lula busca fortalecer a interlocução com movimentos sociais e ajustar sua base política para enfrentar os desafios do próximo ciclo eleitoral. Ao mesmo tempo, o PT se prepara para um período de transição interna, com a expectativa de uma liderança que possa alinhar o partido às novas demandas do governo e ao cenário político nacional.
Foto: Gabriel Paiva

