O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, anunciou que o relatório complementar ao inquérito que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 39 pessoas por uma suposta trama golpista será enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nas próximas semanas. A declaração foi dada nesta segunda-feira, durante participação no programa, “Roda Viva”, da TV Cultura.
Segundo Rodrigues, o novo relatório incluirá análises de materiais apreendidos durante a Operação Contragolpe, deflagrada em novembro de 2023. “Nada mais faremos do que encaminhar uma análise do material apreendido, que tem relação direta com o caso sob investigação no STF. Isso será breve, acredito que nas próximas semanas”, afirmou.
Em entrevista anterior ao jornal “O Globo”, o diretor da PF detalhou que o relatório será baseado em depoimentos já coletados, materiais apreendidos e outros elementos que ainda estão sendo apurados. Ele destacou que um dos focos da investigação é rastrear o financiamento da suposta tentativa de golpe. “A partir das novas informações, será possível identificar a origem de valores mencionados em depoimentos, como o de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Vamos apurar de onde saiu esse dinheiro, mas são detalhes que não interferem no núcleo da investigação, que já aponta cabalmente a tentativa de golpe”, disse Rodrigues.
O relatório inicial, que atribuiu responsabilidade criminal a Bolsonaro, foi elaborado com base em provas e não em convicções, conforme frisou Rodrigues. “A Polícia Federal não condena, não denuncia e não pré-julga. No âmbito policial, chegamos à conclusão de que aquelas pessoas têm responsabilidade sobre os atos criminosos”, afirmou.
A Operação Contragolpe resultou na apreensão de novos materiais que estão sendo analisados pela PF. As conclusões adicionais poderão levar à identificação de outros envolvidos no suposto esquema golpista. O relatório será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por decidir se apresenta ou não uma denúncia formal contra os investigados.
Um ponto de destaque nas investigações é o depoimento do tenente-coronel Mauro Cid, prestado em agosto de 2023. Segundo Cid, Michelle Bolsonaro fazia parte de um grupo radical que apoiava ações golpistas. No entanto, Andrei Rodrigues esclareceu que a ex-primeira-dama não foi indiciada porque os investigadores não identificaram “elementos suficientes” que comprovassem sua participação direta no suposto plano.
“O fato de alguém participar de um grupo radical ou moderado não implica consequências jurídicas por si só. É essencial determinar a efetiva participação dessas pessoas em atos criminosos concretos”, explicou Rodrigues.
O novo relatório da PF será fundamental para aprofundar as investigações e pode trazer à tona novos desdobramentos sobre o caso.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

