Na tentativa de conter um racha interno e fortalecer a unidade da corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB), a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, passou a atuar discretamente em apoio à candidatura de Edinho Silva à presidência do partido. Ex-prefeito de Araraquara (SP) e preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho é visto por parte da legenda como o nome mais viável para conduzir o partido à frente das eleições de 2026.
Inicialmente, Gleisi demonstrava resistência ao nome de Edinho. No ano passado, ainda na presidência do PT, ela defendia que seu sucessor fosse alguém do Nordeste, região estratégica para o partido. Em março, um dia antes de deixar o cargo para assumir o ministério, Gleisi organizou uma reunião em seu apartamento com dirigentes da CNB, na qual foram levadas ao presidente Lula diversas críticas ao nome de Edinho. O vazamento da reunião irritou o presidente, que, apesar do desconforto, manteve-se em silêncio público sobre o tema.
A mudança de postura de Gleisi veio logo após sua nomeação para a articulação política no Planalto. Desde então, ela se reuniu ao menos duas vezes com Edinho. Embora Lula não tenha se manifestado oficialmente, aliados confirmam que sua preferência é clara. O plano é permitir que Edinho consolide sua candidatura por mérito próprio, evitando qualquer intervenção direta de Lula, o que poderia desgastar sua legitimidade interna.
O processo de escolha será por meio de votação direta dos filiados no dia 6 de julho. Até março, Edinho enfrentava forte resistência dentro da CNB. Hoje, líderes antes contrários à sua candidatura reconhecem, mesmo em caráter reservado, que o apoio ao nome preferido de Lula se tornou inevitável.
Apesar do movimento de unificação, o prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, também integrante da CNB, lançou sua candidatura à presidência do PT. Crítico feroz de Edinho, Quaquá alega que o ex-prefeito de Araraquara “nunca sujou o pé de barro” e que não teria condições de unir o partido. Em resposta, a estratégia de Gleisi tem sido costurar acordos internos e isolar Quaquá, atraindo para Edinho o apoio de outros quadros da CNB.
Gleisi e Quaquá já protagonizaram embates quando a ministra estava à frente do partido, e o histórico de atritos entre ambos pode influenciar os rumos da disputa. Ainda assim, há uma expectativa de que Quaquá possa conquistar um número expressivo de votos no primeiro turno. Segundo levantamento recente da direção do PT, o estado do Rio de Janeiro — onde Quaquá tem maior influência — foi o que mais recebeu novos filiados neste ano, com 82 mil adesões.
Além de buscar a unidade em torno de Edinho, Gleisi tenta pacificar disputas sobre os demais cargos da Executiva Nacional do PT. A principal disputa gira em torno da tesouraria. Internamente, Edinho já indicou que não deseja manter Gleide Andrade no cargo, embora ela seja uma figura respeitada na CNB. Em março, ao assumir a articulação política, Gleisi saiu em defesa de Gleide, dizendo que ela era alvo de ataques anônimos e misoginia.
“Trabalho para buscar unidade nesse campo majoritário em torno da candidatura do Edinho. Isso não passa só pela figura do candidato, mas por toda a composição da direção partidária”, disse Gleisi, ao comentar sua atuação nos bastidores.
Apesar da tendência de convergência, a disputa segue aberta. Rui Falcão, ex-presidente nacional do PT entre 2011 e 2017 e atualmente deputado federal, também lançou sua candidatura. Falcão pertence ao grupo Novo Rumo e tenta atrair integrantes da CNB insatisfeitos com Edinho. Ele conta com o apoio de correntes como Democracia Socialista, Avante e Trabalho. Outros nomes na disputa são Romênio Pereira, do Movimento PT, e Valter Pomar, da Articulação de Esquerda. A eleição promete embates internos intensos até a definição da nova direção petista.
Foto: Gil Ferreira/SRI

