Aliados do presidente Lula avaliam que a entrada de Gleisi Hoffmann no governo fortalecerá a base social do PT e poderá minimizar as tensões com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A expectativa é que, à frente da Secretaria-Geral da Presidência, Gleisi modere suas críticas à política econômica.
Durante sua gestão no PT, o partido aprovou documentos críticos às diretrizes econômicas adotadas por Haddad, chegando a classificá-las como “austericídio”. No entanto, dentro do governo, petistas acreditam que Gleisi focará na agenda ministerial, voltada à relação com movimentos sociais. Esse compromisso teria sido selado em uma conversa com Lula na semana passada.
A deputada já reconheceu que precisará limitar suas manifestações sobre economia e pautas polêmicas. Como ministra, sua missão será reforçar a interlocução com a base social, em um momento de queda na popularidade do governo.
Interlocutores de Haddad no Congresso avaliam que não haverá embates entre os dois. Além disso, setores do centrão acreditam que Gleisi adotará um tom mais conciliador em relação ao bloco, reduzindo críticas que já fez a seus partidos.
Lula também considera que Gleisi não deve contrariar a estratégia do novo chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, que busca unificar o discurso governamental. O presidente já informou a aliados que a nomeação de Gleisi para a Secretaria-Geral será oficializada durante a reforma ministerial que está sendo planejada.
A entrada de Gleisi no governo também enfraquece a oposição à eleição de Edinho Silva para a presidência do PT. Ex-prefeito de Araraquara e amigo de Lula, ele é o nome favorito do presidente. Nos bastidores, Gleisi incentivava a candidatura de um petista do Nordeste ao cargo.
Para assumir o ministério, ela deverá deixar a presidência do PT antes do previsto, apesar de anteriormente descartar essa possibilidade. Até julho, um interino assumirá o comando do partido, e os cotados para a função incluem José Guimarães, líder do governo na Câmara, e o senador Humberto Costa.
Petistas comparam a possível mudança de postura de Gleisi à de Flávio Dino, que era ativo nas redes sociais defendendo o governo, mas reduziu sua exposição após ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Atualmente, a Secretaria-Geral da Presidência é comandada por Márcio Macêdo, que enfrentou críticas tanto de movimentos sociais quanto do próprio presidente. Lula pretende recompensá-lo com outro cargo, possivelmente na direção de uma estatal ou até mesmo na chefia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), dependendo da reestruturação ministerial.
Lula informou a Gleisi que a reforma ministerial começará pelo PT. Entre as mudanças cogitadas, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, pode ser substituída por Luciana Santos, atual ministra da Ciência e Tecnologia e filiada ao PCdoB. Essa troca abriria espaço para que o PSD assumisse a pasta.
O atual ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, é um dos cotados para comandar o Ministério da Saúde, caso Lula opte por substituir Nísia Trindade. Se isso ocorrer, a articulação política do governo poderá ser transferida para um nome de outro partido. Entre os possíveis candidatos estão Silvio Costa Filho, ministro dos Portos e Aeroportos, Isnaldo Bulhões Jr., líder do MDB na Câmara, e Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia.
Silveira é um nome frequentemente citado para ser remanejado na reforma ministerial. Ele perdeu respaldo de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, e de Davi Alcolumbre, provável sucessor de Pacheco. Há rumores de que Silveira poderia ser substituído por Pacheco, cujo nome já foi mencionado para o Ministério da Defesa.
O PSD, partido de Gilberto Kassab, reivindica mais espaço no governo. Há uma articulação para que a bancada da Câmara ganhe um ministério mais relevante, em substituição ao Ministério da Pesca, atualmente ocupado por André de Paula. Caso isso ocorra, André de Paula poderia ser deslocado para a Ciência e Tecnologia.
Dentro do governo e da cúpula da Câmara, há também movimentações para incorporar Arthur Lira ao Executivo. A possibilidade de ele assumir o Ministério da Agricultura, hoje comandado por Carlos Fávaro, tem sido discutida. No entanto, o PSD resiste a essa mudança, pois deseja manter o controle da pasta.
Além disso, membros do PSD cogitam assumir o Ministério do Turismo, atualmente comandado por Celso Sabino. No entanto, integrantes do União Brasil, partido de Sabino, garantem que foram informados pelo Planalto de que a troca não ocorrerá.
A reforma ministerial, ainda em fase de ajustes, visa consolidar a base governista no Congresso e conter desgastes políticos internos. O governo Lula busca fortalecer sua articulação para aprovar projetos prioritários e evitar tensões dentro da coalizão. A chegada de Gleisi ao ministério será um dos primeiros passos dessa reestruturação.
Foto: Washington Costa/MF

