O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está desenvolvendo uma campanha publicitária com o mote “é meu, é seu, é do Brasil” para reforçar a confiabilidade do Pix e combater fake news sobre sua tributação. A iniciativa surge após a crise gerada pela tentativa de ampliar a fiscalização da Receita Federal sobre transações realizadas via Pix, que culminou na revogação de uma norma criticada amplamente nas redes sociais.

O foco da campanha será nos empreendedores e autônomos, considerados o público mais impactado pelas notícias falsas. A ideia é reforçar que o Pix é um meio de pagamento seguro, confiável e livre de taxas. Além disso, a mensagem busca consolidar o Pix como uma conquista dos brasileiros e uma ação de Estado.

Na sexta-feira (17), a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) informou às agências publicitárias contratadas pelo governo sobre a encomenda da nova campanha. Inicialmente, a campanha tinha sido cancelada após a revogação da norma na quinta-feira (16). Entretanto, na quarta-feira (22), a agência Calia foi novamente acionada para elaborar o material publicitário.

Durante a primeira reunião ministerial de 2025, realizada na segunda-feira (20), Sidônio Palmeira, novo chefe da Secom, destacou que visitará os ministérios para identificar projetos que possam fortalecer a comunicação do governo. Ele também acompanhará as licitações de comunicação em andamento para otimizar os processos e ampliar a eficiência da publicidade governamental.

Antes da apresentação de Sidônio, Lula criticou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), sem mencioná-lo diretamente, sobre a portaria que gerou a crise do Pix. O presidente determinou que todas as portarias que possam causar polêmica passem pela Casa Civil antes de serem publicadas. “Daqui para a frente, nenhum ministro vai poder fazer uma portaria que depois crie confusão para nós sem que passe pela Presidência através da Casa Civil”, afirmou Lula.

A comunicação com autônomos e microempreendedores tem sido um desafio recorrente para o governo Lula, especialmente por sua aproximação com o discurso bolsonarista. Desde a campanha eleitoral, o petista enfrenta dificuldades nesse segmento. Em 2022, Lula precisou desmentir afirmações de que acabaria com a categoria MEI (microempreendedor individual), uma fake news propagada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção dessas publicações.

Outro exemplo foi a tentativa de regulamentar trabalhadores de aplicativos de transporte, uma promessa de campanha que enfrentou forte resistência do setor. Mesmo após alertas de que a medida poderia gerar reações negativas, o governo lançou o programa, evidenciando as dificuldades de dialogar com esse público.

Em 2024, durante a campanha eleitoral em São Paulo, a dificuldade em atrair esse segmento ficou evidente. O candidato de direita Pablo Marçal (PRTB) conseguiu forte apoio nas periferias ao adotar uma plataforma voltada para empreendedores, destacando a necessidade de aprimorar a comunicação do governo com trabalhadores informais e autônomos.

Foto: Pedro França/Agência Senado

 


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