A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou neste sábado (7) que o governo federal reconheceu de imediato a situação de calamidade pública nas cidades paranaenses que foram atingidas pelo tornado que devastou o interior do estado na sexta-feira. A tragédia resultou em pelo menos seis mortes e mais de 400 feridos. Gleisi Hoffmann sobrevoou as áreas mais afetadas e disse que o objetivo do Executivo é “juntar forças” para acelerar a reconstrução da região devastada.

“Fizemos o reconhecimento imediato de calamidade pública. O governo quer juntar forças para ajudar o Paraná, desde a reconstrução mais imediata, alimentação e itens de higiene pessoal, até o planejamento para a reconstrução da cidade”, afirmou a ministra. Ela destacou a amplitude do apoio, que vai desde o suporte humanitário básico até o planejamento de longo prazo.

Segundo Gleisi Hoffmann, o governo federal está trabalhando em uma coordenação intensa e conjunta com a Defesa Civil, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e o Ministério da Saúde, para liberar recursos emergenciais de forma prioritária. “Acredito que lá por segunda-feira já tenhamos adiantado a questão de liberação de recursos”, disse a ministra, que foi a coordenadora da comitiva federal enviada à região.

A visita da ministra ocorre um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar o envio de uma equipe federal de alto nível ao sudoeste do Paraná. A comitiva, liderada por Gleisi, é integrada por representantes dos ministérios da Integração, da Saúde e da Defesa Civil Nacional. Técnicos especializados em ajuda humanitária e reconstrução já se encontram nas cidades de Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava, que foram os epicentros da tragédia climática.

O reconhecimento formal da calamidade pública é um passo administrativo e jurídico crucial, pois permite a liberação imediata de recursos da União para ações de socorro, abrigo e reconstrução, sem que seja necessário o cumprimento da tramitação burocrática comum. A medida também autoriza o repasse de verbas federais diretamente aos municípios atingidos, verbas que poderão ser usadas em obras emergenciais, aquisição urgente de alimentos e materiais de higiene, além de assistência direta a famílias que ficaram desabrigadas.

O presidente Lula utilizou a plataforma X (antigo Twitter) para prestar solidariedade às famílias das vítimas e garantiu que o governo prestará “todo o auxílio necessário” para a reconstrução das cidades. “Quero expressar meu profundo sentimento a todas as famílias que perderam seus entes queridos no tornado em Rio Bonito do Iguaçu e em Guarapuava, no Paraná. E prestar minha solidariedade a todas as pessoas que foram afetadas”, escreveu o presidente, em um gesto de apoio institucional.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que técnicos da Defesa Civil Nacional e integrantes da Força Nacional do SUS foram rapidamente mobilizados para atuar em conjunto com as autoridades locais. O ministério também confirmou que o reconhecimento da calamidade foi solicitado ainda na noite de sexta-feira e validado oficialmente neste sábado.

De acordo com informações detalhadas do governo do Paraná, o tornado causou a morte de seis pessoas, sendo uma delas registrada em Guarapuava, e deixou outras duas pessoas desaparecidas. Os danos materiais são extensos: ao menos 10 mil pessoas foram afetadas em Rio Bonito do Iguaçu, e 432 delas receberam atendimento médico, sendo que nove se encontram em estado grave. A ventania, apesar de ter durado poucos minutos, foi de uma intensidade devastadora, destruindo casas de alvenaria, derrubando árvores inteiras e provocando o tombamento de veículos e caminhões nas rodovias.

Imagens registradas por moradores e pelas equipes de resgate mostram bairros inteiros que foram praticamente arrasados pela força do vento. Linhas de energia foram rompidas e o fornecimento de água foi interrompido em parte das cidades, agravando a situação das comunidades. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil seguem realizando buscas em áreas de escombros e removendo entulhos.

Além da comitiva coordenada pela ministra Gleisi Hoffmann, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) também enviou equipes especializadas ao estado. O ministro Wellington Dias afirmou que o governo está atuando em plena coordenação com as autoridades estaduais e municipais para garantir a ajuda humanitária imediata. “Com o decreto de calamidade, o MDS presta ajuda com cestas de alimentos, abrigo e auxílio abrigamento, além de equipes de apoio psicológico e assistência social. Fiz contato com o governador Ratinho Jr. e seguimos juntos, cuidando de quem mais precisa”, disse Dias, reiterando o compromisso de assistência social.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também manifestou sua solidariedade às vítimas, afirmando publicamente que o governo federal está “envidando todos os esforços para auxiliar os governos estadual e municipal na reconstrução das infraestruturas destruídas” pelas intempéries.

A tragédia mobilizou, ainda, a solidariedade dos líderes do Congresso Nacional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou em nota que as cenas de destruição provocadas pelo tornado “comovem o Brasil”. “São imagens de destruição, mas também de coragem, fé e união de um povo que, mesmo diante da dor, começa a se reerguer. O Senado se une aos paranaenses e se coloca à disposição para somar esforços na reconstrução das vidas, dos lares e da esperança”, declarou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também se manifestou publicamente em apoio: “Em nome da Câmara dos Deputados, expresso minha solidariedade ao povo paranaense. Deixo meu reconhecimento ao trabalho das autoridades locais, equipes de resgate e voluntários, que têm atuado com dedicação no apoio à população atingida”, concluiu Motta, reconhecendo o esforço dos envolvidos no socorro.

Foto: Corpo de Bombeiros do Paraná


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