O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), demonstra disposição para recompor a relação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e colaborar com a tramitação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Segundo o ministro, o tema será uma das principais bandeiras do governo na disputa eleitoral de 2026 e conta com amplo apoio popular.

Em entrevista, Guimarães declarou que o governo trabalha para garantir que a proposta avance no Senado sem atrasos excessivos. De acordo com ele, a matéria já superou uma etapa importante e agora depende de articulação política para ser votada pelos senadores.

O ministro afirmou que a aprovação da proposta representou uma derrota para setores ligados ao bolsonarismo e classificou o resultado como uma vitória relevante para o governo federal.

“Aplicamos uma enorme derrota ao bolsonarismo. É o tema que mais terá peso nesse próximo período. Mais de 70% da população é favorável”, afirmou.

Segundo Guimarães, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, já iniciou conversas com Davi Alcolumbre para facilitar a tramitação da proposta. O ministro afirmou que o governo também pretende dialogar diretamente com o presidente do Senado para buscar uma votação célere.

Na avaliação dele, a proposta poderia seguir diretamente ao plenário da Casa, mas a definição dependerá da condução adotada por Alcolumbre e da estratégia construída entre os líderes partidários.

Guimarães argumentou que não há justificativa para impedir ou retardar o debate de um tema que considera de interesse nacional. Para ele, a discussão sobre a jornada de trabalho ultrapassa divergências partidárias e atende a uma demanda crescente da sociedade.

O ministro afirmou que pesquisas internas realizadas pelo governo indicam apoio significativo à redução da jornada de trabalho, especialmente entre mulheres e jovens trabalhadores. Segundo ele, o tema ganhou relevância nacional e vem sendo acompanhado pela população em diferentes regiões do país.

Questionado sobre críticas de adversários que associam a proposta a interesses eleitorais, Guimarães respondeu que qualquer iniciativa do governo acaba recebendo esse tipo de interpretação. Como exemplo, citou medidas adotadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro em período eleitoral.

Para o ministro, o fato de uma política pública produzir dividendos eleitorais não significa que ela deixe de ser importante para a população. Ele afirmou que o governo não pode deixar de discutir temas relevantes apenas por receio de críticas da oposição.

Ao comentar declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Guimarães afirmou que o parlamentar se equivocou ao prever enfraquecimento do governo após a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Segundo o ministro, apesar do revés político, o governo conseguiu reorganizar sua estratégia e avançar em novas agendas. Ele afirmou que o Executivo retomou a iniciativa política e passou a concentrar esforços em temas considerados prioritários.

Guimarães também comentou a relação entre Lula e Davi Alcolumbre. Segundo ele, os contatos entre os dois lados continuam frequentes e há disposição para reconstruir o diálogo institucional.

“Eu falo com ele quase todo dia. Ele diz, reiteradamente, que quer sentar com o presidente e recompor a relação”, afirmou.

Para o ministro, a política exige capacidade de diálogo e construção de consensos, especialmente em momentos de divergência. Ele ressaltou que a interlocução entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional permanece ativa.

Ao abordar o cenário eleitoral de 2026, Guimarães afirmou que a campanha de Lula deverá se apoiar em três grandes eixos. O primeiro será a apresentação das realizações do governo e das políticas públicas já entregues à população.

O segundo eixo envolverá temas conjunturais considerados estratégicos, entre eles a proposta do fim da escala 6×1. Já o terceiro será dedicado ao debate sobre o futuro do país e às propostas para um eventual novo mandato presidencial.

Questionado sobre a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, Guimarães afirmou que a medida representa uma ameaça à soberania brasileira.

Segundo ele, o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação internacional, mas sem interferências externas que possam comprometer a autonomia do país.

O ministro também questionou a ausência de milícias na classificação anunciada pelas autoridades norte-americanas e afirmou que qualquer colaboração internacional deve respeitar os canais institucionais do governo brasileiro.

Ao analisar o cenário político para 2026, Guimarães criticou o senador Flávio Bolsonaro e afirmou que o parlamentar ainda não apresentou propostas concretas para o país. Segundo ele, o principal desafio da próxima campanha será discutir projetos para o futuro do Brasil.

Entre os temas defendidos pelo ministro para um eventual segundo mandato de Lula estão a ampliação da educação em tempo integral e o fortalecimento de políticas de combate ao feminicídio.

Guimarães também defendeu mudanças no modelo de presidencialismo de coalizão. Segundo ele, muitas vezes partidos que integram a base governista não mantêm compromisso efetivo com as diretrizes programáticas do governo.

Para o ministro, é necessário construir uma relação mais coerente entre apoio político e atuação parlamentar. Ele afirmou ser favorável às emendas parlamentares, mas defendeu critérios mais rígidos na relação entre governo e base aliada.

“Não pode ter emenda, o parlamentar receber e votar contra o governo. Tem que exigir isso”, declarou.

Segundo Guimarães, partidos de centro têm demonstrado interesse em ampliar o diálogo com o governo e construir novas alianças para o futuro. Ele afirmou enxergar sinais positivos de aproximação e acredita que o cenário político poderá apresentar mudanças significativas até as eleições de 2026.

Ao final da entrevista, o ministro voltou a defender a redução das taxas de juros. Na avaliação dele, o atual patamar da Selic continua incompatível com a realidade econômica brasileira e representa um obstáculo para um crescimento mais acelerado da economia.

Guimarães afirmou que a inflação permanece sob controle há anos e argumentou que juros elevados dificultam investimentos, geração de empregos e expansão da atividade econômica. Para ele, esse continuará sendo um dos principais debates econômicos do país nos próximos anos.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado


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