O Partido dos Trabalhadores anunciou nesta quinta-feira, dia dezenove, a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo do estado de São Paulo. A decisão retoma a estratégia adotada na eleição de dois mil e vinte e dois, quando Haddad chegou ao segundo turno, mas acabou derrotado pelo atual governador, Tarcísio de Freitas. O anúncio foi feito durante evento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, local histórico para o partido e para a trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A oficialização da pré-candidatura já era esperada desde a semana anterior e foi consolidada após agendas do governo federal no estado. Durante o dia, uma caravana reuniu prefeitos paulistas, e, à noite, o ato político reuniu lideranças petistas e aliados em um ambiente simbólico para a militância. O encontro contou com a presença de ministros, parlamentares e do vice-presidente Geraldo Alckmin, além de dirigentes partidários.Haddad assume agora o desafio de enfrentar o favoritismo de Tarcísio de Freitas nas pesquisas eleitorais e, ao mesmo tempo, estruturar um palanque competitivo para a candidatura de Lula à reeleição. São Paulo concentra mais de vinte por cento do eleitorado nacional, o que torna a disputa estadual estratégica para o cenário político do país.
Segundo aliados, Haddad resistiu por meses à ideia de disputar novamente o governo paulista, principalmente por estar à frente da condução da política econômica federal. A avaliação interna, no entanto, foi de que sua candidatura seria fundamental para fortalecer o projeto nacional do partido. A decisão teria sido tomada após um pedido direto de Lula, que buscava um nome com densidade eleitoral no estado.
Pesquisa recente reforçou esse diagnóstico ao indicar Haddad como o candidato mais competitivo entre os nomes ligados ao governo federal. O levantamento mostrou o petista com trinta e um por cento das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Tarcísio aparece com quarenta e quatro por cento, evidenciando um cenário desafiador, mas com possibilidade de disputa.
A tendência é que Geraldo Alckmin atue como um dos principais articuladores da campanha, embora não seja candidato ao governo estadual. Com experiência de quatro mandatos à frente do Palácio dos Bandeirantes, Alckmin possui trânsito entre setores mais conservadores e gestores municipais, o que pode ampliar a base de apoio de Haddad.
Outras lideranças também se movimentam para compor a chapa. A ministra Simone Tebet pretende disputar o Senado por São Paulo, enquanto nomes como Márcio França e Marina Silva são considerados possíveis candidatos à vice. A definição da composição ainda dependerá das negociações entre partidos aliados.
A estratégia do PT para a campanha passa pela valorização de indicadores econômicos positivos, como a redução do desemprego, o aumento da renda média e o controle da inflação. Medidas aprovadas no Congresso, como a reforma tributária e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais por mês, também devem ser exploradas.
Ao mesmo tempo, a campanha deverá buscar desgastar a gestão de Tarcísio, com críticas a políticas estaduais e à relação com prefeitos. Temas como a privatização da Sabesp e a execução de obras com recursos federais devem ganhar espaço no debate eleitoral.
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o momento político exige definições claras diante do avanço de correntes ideológicas mais radicais no cenário internacional. Segundo ele, a candidatura de Haddad representa um projeto comprometido com o diálogo, a democracia e o desenvolvimento social.
Do outro lado, Tarcísio já sinaliza que pretende nacionalizar a disputa e deve concentrar críticas na condução da política econômica pelo ministro. O governador tem afirmado que a atual gestão federal promove aumento de impostos e risco fiscal, argumento rebatido por Haddad, que defende mudanças na estrutura tributária com maior cobrança sobre os mais ricos.
Para se dedicar à pré-campanha, Haddad deve se afastar temporariamente de agendas públicas no Ministério da Fazenda. Durante esse período, a condução da pasta ficará sob responsabilidade do secretário-executivo Dario Durigan, que já atua como principal auxiliar do ministro desde dois mil e vinte e três.
A movimentação marca o início de uma disputa que promete ser uma das mais relevantes do próximo ciclo eleitoral, com impacto direto no cenário nacional e na correlação de forças políticas no país.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

