O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu que a Polícia Federal aprofunde as investigações relacionadas ao Banco Master e alcance todos os envolvidos que eventualmente tenham participado do esquema apurado pela Operação Compliance Zero. A declaração foi feita um dia após a nona fase da operação atingir o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado.
Em entrevista à BandNews TV, Haddad afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou desde o início que as apurações fossem conduzidas sem qualquer interferência política e que todos os fatos fossem esclarecidos. Segundo ele, diante da dimensão das irregularidades investigadas, é natural que diversos nomes sejam alcançados pelas investigações. Para o ex-ministro, cabe à Polícia Federal exercer suas atribuições de maneira independente sempre que houver dúvidas sobre a conduta de qualquer pessoa mencionada nos autos.
Haddad também comentou a reação de Jaques Wagner após a operação. Na avaliação do petista, o senador agiu corretamente ao conceder entrevistas e se colocar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Segundo ele, quem acredita na legalidade de seus atos deve colaborar com as investigações e apresentar as informações necessárias para afastar suspeitas.
Durante a entrevista, Haddad relacionou o caso do Banco Master ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e citou ainda o senador Flávio Bolsonaro e o senador Ciro Nogueira. Ele argumentou que a instituição financeira recebeu autorização para funcionar durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central e afirmou que as irregularidades investigadas tiveram origem naquele período. Haddad acrescentou que, ao final do processo, eventuais responsáveis devem ser punidos, enquanto aqueles que comprovarem não ter cometido irregularidades deverão ser absolvidos ou sequer denunciados.
A nova fase da Operação Compliance Zero teve como alvo principal Jaques Wagner e pessoas ligadas ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. De acordo com as investigações, o senador teria recebido benefícios que incluem a utilização de aeronaves particulares, hospedagens e outras vantagens. Os investigadores também apontam movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas ao núcleo familiar do parlamentar e pessoas relacionadas ao empresário baiano.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam valores em espécie em endereços associados ao senador. Em nota divulgada após a operação, Jaques Wagner afirmou que os recursos têm origem legal e foram devidamente declarados. Segundo sua assessoria, parte do dinheiro corresponde a diárias recebidas para viagens oficiais internacionais que não chegaram a ser utilizadas. O senador reiterou que permanece à disposição das autoridades para fornecer todas as informações necessárias e demonstrar a regularidade de sua conduta.
A investigação prossegue sob responsabilidade da Polícia Federal e busca esclarecer a extensão das supostas irregularidades atribuídas ao Banco Master, bem como identificar eventuais beneficiários de vantagens financeiras ou patrimoniais relacionadas ao esquema investigado. O caso continua produzindo repercussões políticas em Brasília e ampliando o debate sobre a necessidade de responsabilização dos envolvidos, independentemente de posição partidária ou função pública exercida.
Foto: Diogo Zacarias/MF

