O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (24) que não vê risco de recessão para a economia brasileira, apesar das tensões geopolíticas e da atual guerra comercial entre Estados Unidos e China. A declaração foi dada durante evento promovido pela CNN, em Brasília, que também contou com a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do presidente da Febraban, Isaac Sidney.
Segundo Haddad, embora a situação internacional inspire atenção, há expectativa de mudanças no cenário em breve. “É difícil imaginar que as tarifas impostas entre EUA e China se mantenham como estão. Isso desorganizaria as cadeias produtivas globais. Minha avaliação pessoal é de que teremos novos capítulos nas próximas semanas e, possivelmente, o quadro será alterado”, afirmou.
Ao comentar a proposta de reforma do Imposto de Renda, o ministro defendeu que a compensação da ampliação da faixa de isenção seja feita com a taxação dos chamados “super ricos”. Questionado se a retirada dessa compensação comprometeria a qualidade da reforma, Haddad foi categórico: “Sim, compromete. É uma questão de justiça tributária”.
Para o ministro, quem está isento, mas deveria pagar, representa um gasto tributário. “Estamos falando de pessoas que não pagam nem 10%. É como se um morador de cobertura não pagasse o condomínio. Não é exagero: é uma injustiça flagrante que ninguém até hoje quis enfrentar”, disse.
Haddad ressaltou que ainda não foi apresentada uma alternativa concreta à proposta original, mas defendeu que a tributação dos mais ricos corrige uma distorção histórica. “Somos uma das dez maiores economias do mundo, mas também uma das dez piores em distribuição de renda. Essa proposta enfrenta essa realidade de forma direta”, argumentou.
Já o presidente da Câmara, Hugo Motta, destacou a disposição do Legislativo para encontrar uma solução equilibrada. “Buscaremos a compensação menos danosa possível. Com o diálogo do presidente Arthur Lira e da comissão especial, temos condições de construir uma proposta justa para os 10 milhões de brasileiros que passarão a ter isenção do imposto de renda”, afirmou.
Isaac Sidney, da Febraban, alertou que “não há espaço para erro” e que o mercado está atento aos desdobramentos da reforma. O evento reforçou o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal e com medidas que promovam maior equidade no sistema tributário.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

