Com a inauguração da fábrica da Hemobrás em Goiana (PE) nesta quinta-feira (14/8), o Brasil dá um passo decisivo para consolidar sua soberania na produção de alguns dos medicamentos mais demandados do mundo. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que os hemoderivados — como albumina, imunoglobulina, fator VIII e fator IX — estão entre os tratamentos mais modernos disponíveis. Segundo ele, a visita do presidente Lula à nova unidade da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia representa um marco histórico para a saúde pública brasileira.
Além de garantir a produção de medicamentos recombinantes, fruto de engenharia genética e essenciais para pacientes com distúrbios de coagulação, como hemofílicos, a fábrica permitirá a produção de diversos medicamentos obtidos do sangue humano. “Por exemplo, os que são utilizados em UTIs, no atendimento a grandes queimados, no fortalecimento do organismo durante tratamentos contra o câncer e no combate a várias outras doenças”, explicou Padilha.
Hemobrás passa a dominar toda a tecnologia envolvida nesses processos e projeta ampliar seu portfólio. “Já temos uma parceria envolvendo a Hemobrás, o Ministério da Saúde e empresas internacionais para a produção de anticorpos monoclonais, além de produtos para diagnóstico”, afirmou o ministro.
A diretora-presidente da Hemobrás, Ana Paula do Rego Menezes, ressaltou que a planta de hemoderivados é mais que uma fábrica de medicamentos. “A gente coleta, tria e cuida do plasma da população brasileira, que doa sangue voluntariamente. Esse sangue é separado em células vermelhas, plaquetas e plasma. Uma parte vai para transfusão e a outra, o plasma excedente de qualidade industrial, torna-se nossa matéria-prima para medicamentos.”
Para ela, o projeto é, acima de tudo, de cidadania. “Esse plasma, doado voluntariamente, retorna à população em forma de medicamentos. Hoje entregamos algo que fortalece e garante um Brasil soberano na proteção do plasma, na proteção coletiva, na justiça social e na autonomia de produção de hemoderivados, fundamentais para salvar vidas e dar qualidade de vida a quem tem hemofilia.”
Antes da cerimônia, Padilha revelou que Lula participaria de outra agenda histórica para a saúde pública ainda nesta quinta-feira. “O presidente vai presenciar o primeiro paciente do SUS a ser tratado dentro de um hospital de plano de saúde”, disse, referindo-se ao programa Agora Tem Especialistas, criado por medida provisória de Lula.
Segundo o ministro, o programa converte dívidas de planos de saúde com o SUS, antes não pagas, em mais cirurgias, consultas e exames como ressonância e tomografia. “O presidente vai visitar pacientes atendidos no hospital do plano de saúde”, afirmou.
Padilha também informou que o Hospital Português, que já atendeu Lula, vai ampliar cirurgias pelo SUS e operar seu setor de radioterapia em três turnos, inclusive à noite, para acelerar tratamentos oncológicos. “O presidente Lula está fazendo história para a saúde pública hoje em Pernambuco”, concluiu.
Foto: Divulgação/MIDR

