A hanseníase, também conhecida como lepra ou Mal de Lázaro, é uma das enfermidades mais antigas do mundo, com relatos que remontam ao século 6 de Antes da Era Comum. Causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, a doença é infecciosa e atinge a pele e os nervos periféricos do corpo humano.

Seus sintomas mais comuns são a perda da sensibilidade e de força nas mãos e nos pés e o aparecimento de manchas avermelhadas ou esbranquiçadas na pele, além de caroços e placas em diferentes locais do corpo.

Em 2023, foram registrados 19.129 novos casos de hanseníase no Brasil – 957 em Minas Gerais. A contaminação se dá quando se tem contato com gotículas vindas das mucosas oral e nasal de alguém contaminado – no caso de tosses ou espirros.

Ao mesmo tempo, a doença tem uma particularidade: ela só é transmissível enquanto a pessoa contaminada ainda não começou o seu tratamento. Quando está em tratamento, a pessoa para de transmitir a doença – daí a importância que ela seja detectada o quanto antes.

“O diagnóstico precoce evita a disseminação da doença”, insiste a dermatologista Denise Maria Assunção, especialista no tratamento de hanseníase do Ambulatório de Dermatologia do Hospital das Clínicas da UFMG.

Ela faz um apelo pela conscientização, tendo como mote o próximo dia 28, em que se comemora o Dia Mundial Contra a Hanseníase (a data é celebrada sempre no último domingo de janeiro). “É importante que o paciente complete todas as doses das medicações, conforme orientação médica, pois assim ele pode ser curado”, informa a profissional.

No Hospital das Clínicas, o mês de janeiro tem sido marcado por esclarecimentos a respeito da doença. O HC produziu uma série de materiais educativos, como cartilhas informativas, que estão sendo distribuídos na unidade. O material foi desenvolvido pelo projeto de extensão Enfoque multidisciplinar na hanseníase: cuidado e difusão do conhecimento, que é coordenado pelo professor Marcelo Grossi Araújo.

A fachada do Hospital também está iluminada de roxo, a cor oficial da campanha, e cartazes informativos foram afixados pelo estabelecimento. Ao perceber alguns dos sintomas da doença, a pessoa deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para fazer o diagnóstico, que será realizado por meio de testes de sensibilidade tátil, térmica e dolorosa.

O tratamento da hanseníase é feito gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com medicamentos que combinam três substâncias antimicrobianas: a clofazimina, a rifampicina e a dapsona. Ele pode durar de seis meses a um ano, a depender do tipo de infecção. O mais importante é que, quando o tratamento é iniciado, o paciente não transmite a doença, para a qual há cura – desde que se procure ajuda e se cumpra com todo o ciclo de tratamento.

O Hospital das Clínicas da UFMG foi fundado em 21 de agosto de 1928 com o nome de Hospital São Vicente de Paulo. Ele se tornou “Hospital das Clínicas” em 1955, após a fusão com o Hospital São Geraldo e com o Instituto do Câncer e Radium de Belo Horizonte, que já funcionavam como hospitais-escola da Faculdade de Medicina da UFMG.

Na década seguinte, em 1962, o antigo prédio do São Vicente de Paulo foi demolido para a construção dos blocos do HC atual. Em 1967 e 1969, respectivamente, o Hospital Borges da Costa e o Ambulatório Bias Fortes também passaram a integrar o complexo hospitalar, que se transformou em órgão independente da Faculdade de Medicina da UFMG, em 1976, quando passou a contar com diretoria e regimento interno próprios.

Desde 2013, o Hospital das Clínicas da UFMG integra a Rede Ebserh. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra 41 hospitais universitários federais que aliam o atendimento a pacientes do SUS ao apoio à formação de profissionais de saúde e ao desenvolvimento da pesquisa e da inovação.

O Hospital das Clínicas da UFMG fica na Avenida Professor Alfredo Balena, 110, no bairro Santa Efigênia.


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