O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), enviou novos sinais aos líderes dos partidos de centro de que a relatoria da CPI do INSS ficará com alguém de sua confiança. Motta indicou que o relator deverá ter um perfil “equilibrado”, sem alinhamento com posições extremistas. Esse posicionamento contraria o desejo do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que pretendia emplacar um opositor combativo na função, desde que fosse filiado a um partido de centro.
Após desistir de indicar diretamente o relator, o PL passou a apostar em nomes como os deputados Mendonça Filho (União-PE) e Evair de Melo (PP-AL). No entanto, lideranças de centro indicam que esses nomes não devem ser aceitos. O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, afirmou: “Hugo deve escolher alguém de centro, da confiança dele, que não seja de esquerda, nem de direita. É um direito dele essa escolha. Se ele pedir uma indicação, daremos. Mas não há sinalização de que será alguém com afinidade à oposição, que ele vá atender a este pleito.”
O PL desejava utilizar a relatoria para pressionar o governo e desgastar a base governista, uma vez que o relator tem papel central na condução da investigação, como responsável por apresentar requerimentos e elaborar o relatório final da CPI. O comando da CPI, por sua vez, caberá ao Senado. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), articula para que o senador Omar Aziz (PSD-AM), considerado aliado do governo, assuma a presidência da comissão.
Dentro do PL, já existe uma intensa disputa pelas vagas no colegiado. O partido terá direito a três cadeiras titulares e três suplências na CPI. Uma das suplências, no entanto, será cedida ao Partido Novo, conforme acordo firmado anteriormente. Segundo o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), “atualmente, temos 11 parlamentares oficialmente solicitando vagas às quais o partido tem direito.”
Entre os nomes mais comentados no PL para integrar a CPI estão as deputadas Bia Kicis (DF), Coronel Fernanda (MT) e Daniela Reinehr (SC), além dos deputados Zé Trovão (SP), Coronel Chrisóstomo (AM), André Fernandes (CE) e Nikolas Ferreira (MG).
Na federação PT-PCdoB-PV, uma das duas vagas titulares será ocupada pelo deputado Paulo Pimenta (RS), ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social. “O único certo na CPI, até o momento, é o Paulo Pimenta. Ele é experiente e bom de briga”, afirmou o líder petista Lindbergh Farias (RJ). A outra vaga ainda está indefinida, mas o deputado Rogério Correia (MG) já se colocou à disposição. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) deve ocupar uma das suplências.
Menos de 24 horas após Davi Alcolumbre ter lido o requerimento de criação da CPI do INSS, na última quarta-feira, os partidos iniciaram a indicação dos seus representantes. Curiosamente, algumas legendas da base aliada do presidente Lula, como PP e PSD, indicaram nomes com perfil crítico ao governo.
Na Câmara, o PSD indicou o deputado Sidney Leite (AM) como titular e Carlos Sampaio (SP) como suplente. “Leite é autor de um projeto de lei apresentado em resposta à crise do INSS, após denúncias de descontos indevidos em aposentadorias.” A proposta, que já teve a urgência aprovada, proíbe a realização de descontos nos benefícios previdenciários relacionados a mensalidades de associações.
A expectativa é de que os representantes do PSD adotem uma postura crítica em relação às ações do governo Lula para coibir fraudes no sistema previdenciário.
No Senado, o PP já definiu seus representantes. O senador Ciro Nogueira confirmou que o titular será Esperidião Amin (SC) e o suplente Luiz Carlos Heinze (RS). Amin já deixou claro que “os governistas tentam dominar a composição da CPI para controlar o resultado final.” Heinze, por sua vez, é um dos nomes alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Ainda não temos os nomes da Câmara definidos. Mas, já sabemos que Amin e Heinze vão compor a nossa dupla do Senado”, afirmou Ciro Nogueira.
Enquanto as articulações seguem, o PL tenta assegurar o maior espaço possível na CPI, mas enfrenta resistência da presidência da Câmara, que prioriza um nome que garanta equilíbrio político e evite o domínio da oposição no comando da relatoria.
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

