O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu reconduzir o deputado Guilherme Derrite à relatoria do projeto de lei conhecido como PL Antifacção, apesar de apelos de parlamentares governistas para que outro nome fosse indicado. A escolha foi confirmada nesta quinta-feira e aprofundou o desgaste entre a cúpula da Casa e o Palácio do Planalto.

A proposta tramita sob regime de urgência constitucional e, com isso, segue com previsão de votação no plenário já na próxima semana. O governo considera o projeto estratégico dentro do pacote de segurança pública e avalia que o texto aprovado no Senado representa um ponto de equilíbrio após negociações prolongadas.

O PL Antifacção foi encaminhado pelo Executivo à Câmara em novembro, poucos dias depois de uma grande operação policial realizada no Rio de Janeiro. Na primeira análise dos deputados, o relatório de Derrite promoveu mudanças substanciais na redação original, o que gerou resistência do governo e críticas diretas de ministros e líderes aliados.

A decisão de Motta de manter Derrite no posto também é vista como politicamente sensível pelo histórico do relator. Ele é secretário de Segurança Pública de São Paulo e aliado do governador Tarcísio de Freitas, adversário político do presidente da República, fator que ampliou a desconfiança do Planalto quanto à condução da matéria.

No Senado, o projeto passou por nova rodada de ajustes. O relator Alessandro Vieira promoveu alterações que tornaram o texto mais aceitável para o governo, especialmente em pontos ligados à coordenação federativa e à gestão de recursos. Agora, cabe à Câmara decidir se mantém a versão aprovada anteriormente ou se acolhe as mudanças feitas pelos senadores.

No início de fevereiro, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a permanência de Derrite na relatoria dificultaria o debate. À época, ela disse esperar que a recondução não ocorresse. Mesmo assim, Motta manteve a indicação.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirmou que a bancada seguirá crítica caso a Casa retome o texto original, mas declarou que os deputados governistas estão prontos para votar a proposta com urgência.

Foto: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados


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