O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem demonstrado tranquilidade diante dos ataques que vem recebendo nas redes sociais. Após liderar a derrubada do decreto presidencial que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), considerada a maior derrota imposta ao governo Luiz Inácio Lula da Silva neste mandato, Motta avalia que o enfrentamento fortaleceu sua posição como líder da Casa e ampliou seu espaço de influência no Congresso Nacional.
O parlamentar acredita que dispõe de um amplo conjunto de ferramentas institucionais que podem ser usadas para reagir, caso o Palácio do Planalto continue a investir em críticas contra o Congresso. Desde a derrota no Legislativo, o governo e o próprio presidente Lula têm intensificado o discurso de que o Congresso estaria agindo em benefício dos mais ricos, enquanto o Executivo buscava promover justiça social. O governo sustenta que a medida derrubada beneficiaria os mais pobres, e a narrativa de “ricos contra pobres” passou a ser amplamente explorada nas redes sociais.
Além de reforçar o debate sobre justiça tributária, o governo acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de anular a decisão do Congresso. Diante desse cenário, Motta considera que o episódio foi decisivo para consolidar sua imagem interna como defensor das prerrogativas do Legislativo. Segundo ele, a crise proporcionou a aproximação e a mobilização de seus principais aliados no Congresso.
Quanto às críticas direcionadas a ele nas plataformas digitais, Motta tem minimizado o impacto e, em conversas com interlocutores, afirma que “um político de centro sempre vai apanhar”. Contudo, pondera que, se os ataques ultrapassarem os limites, o Legislativo tem recursos suficientes para responder de forma contundente.
Entre os exemplos que Motta cita está a possibilidade de o Congresso derrubar um eventual veto presidencial ao projeto de lei que aumenta o número de deputados federais. O texto, aprovado recentemente na Câmara e no Senado, prevê a criação de 18 novas cadeiras, elevando o total de 513 para 531 deputados. O presidente da Câmara também destaca o papel do Legislativo no controle dos prazos para a análise e votação de Medidas Provisórias (MPs) enviadas pelo Executivo. Se uma MP não for apreciada em até 120 dias, perde automaticamente a validade, o que pode representar um desafio adicional para o governo em futuras negociações.
Na última quarta-feira, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, usou as redes sociais para desautorizar os ataques virtuais contra Hugo Motta. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), também se manifestou no mesmo sentido. A postura do governo visava reduzir a tensão com o Legislativo, mas a estratégia de reforçar o discurso de oposição entre ricos e pobres continuou a gerar pressão contra o Congresso no ambiente digital.
Embora integrantes da cúpula do Congresso não tenham sido diretamente criticados por membros do governo, as redes sociais associadas a apoiadores da esquerda intensificaram as manifestações contrárias ao Legislativo. Gleisi Hoffmann, ao se posicionar sobre o tema, afirmou: “O debate, a divergência e a disputa política fazem parte da democracia. Mas nada disso autoriza os ataques pessoais e desqualificados nas redes sociais contra o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, o que repudio. Não é assim que vamos construir as saídas para o Brasil, dentre as quais se destaca a justiça tributária. O respeito às instituições e às pessoas é essencial na política e na vida.”
A iniciativa do governo de judicializar o decreto do IOF foi autorizada pelo presidente Lula, que concordou em recorrer ao STF para tentar anular a decisão dos parlamentares. Essa medida, porém, foi alvo de críticas de lideranças do Congresso, que enxergaram no gesto uma tentativa de ampliar o confronto institucional.
Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

