O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) registrou queda de 0,30% em junho, surpreendendo o mercado financeiro, que esperava alta de 0,34% para o período. O resultado foi divulgado nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e reflete principalmente a retração dos preços no atacado, influenciada pela redução dos valores de importantes commodities agrícolas e energéticas. Em maio, o indicador havia apresentado avanço de 0,89%.
Com o resultado de junho, o IGP-10 acumula alta de 2,15% nos últimos 12 meses. O índice é considerado um dos principais termômetros da inflação no país por reunir dados dos preços ao produtor, ao consumidor e da construção civil, calculados entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.
O principal impacto para a queda do indicador veio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), responsável por 60% da composição do IGP-10. O subíndice registrou recuo de 0,71% em junho, após ter avançado 0,95% no mês anterior. Segundo o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, a redução foi impulsionada pelas quedas dos preços de produtos como café, cana-de-açúcar e combustíveis.
De acordo com o especialista, o movimento reflete um cenário de acomodação dos preços internacionais e de normalização da oferta em diversos mercados. Apesar disso, alguns produtos agrícolas apresentaram comportamento oposto. Batata-inglesa e feijão registraram aumentos devido a fatores sazonais que afetaram a oferta desses itens.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que representa 30% do indicador geral, subiu 0,56% em junho, abaixo da alta de 0,68% observada em maio. O resultado foi influenciado pela desaceleração dos combustíveis, embora alguns componentes tenham pressionado a inflação ao consumidor, como alimentos in natura e tarifas de energia elétrica.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10), responsável pelos 10% restantes do IGP-10, avançou 0,92% em junho, acelerando em relação ao aumento de 0,86% registrado no mês anterior.
Os dados reforçam um cenário de comportamento distinto entre os segmentos da economia, com alívio nos preços ao produtor contrastando com pressões ainda presentes no consumo e na construção civil, fatores que continuam sendo acompanhados por analistas e autoridades econômicas.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

