O comércio varejista brasileiro registrou queda de 1,5% em abril na comparação com março, marcando o pior resultado mensal desde junho de 2022, quando o setor havia recuado 2,8%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram que a retração foi fortemente influenciada pelo desempenho negativo das vendas de combustíveis e lubrificantes. Apesar do resultado na comparação mensal, o varejo ainda apresentou crescimento de 1,0% em relação a abril de 2025.
O resultado interrompe uma sequência de três meses consecutivos de expansão e ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela Reuters projetavam queda de 0,6% na comparação mensal e avanço de 1,95% na base anual. Segundo o IBGE, parte do desempenho mais fraco pode ser explicada pelo elevado patamar alcançado pelo setor nos primeiros meses do ano, quando as vendas atingiram níveis recordes.
De acordo com o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, o forte crescimento registrado anteriormente elevou a base de comparação, tornando mais difícil a manutenção de novas altas. Mesmo assim, fatores como o mercado de trabalho aquecido e medidas de estímulo ao consumo continuam contribuindo para sustentar a atividade comercial, apesar da política monetária restritiva e da taxa Selic atualmente fixada em 14,5% ao ano.
Outro fator que afetou o desempenho do varejo foi a pressão sobre os preços de combustíveis, influenciada pelo conflito no Oriente Médio. Entre os oito segmentos analisados pelo levantamento, seis registraram retração. O maior recuo ocorreu em combustíveis e lubrificantes, com queda de 6,2%. Também apresentaram resultados negativos os setores de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%), móveis e eletrodomésticos (-0,8%), tecidos, vestuário e calçados (-0,1%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%).
Na direção oposta, os segmentos de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 1,3%, enquanto livros, jornais, revistas e papelaria avançaram 1,1%. Segundo o IBGE, justamente os setores que impulsionaram o crescimento nos meses anteriores foram os que mais contribuíram para a queda observada em abril.
No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motocicletas, peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas caiu 0,7% na passagem de março para abril. Mesmo com a retração, os indicadores mostram que o consumo das famílias continua sustentando parte da atividade econômica, após crescimento de 1,0% no primeiro trimestre deste ano, conforme dados recentes do Produto Interno Bruto divulgados pelo próprio IBGE.
Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

