No dia 15 de dezembro de 2025, representantes do Ministério Público Federal e do Ministério Público de Minas Gerais se reuniram com moradores da comunidade de Gesteira, no município de Barra Longa, para dar continuidade à execução do chamado Acordo de Gesteira. O encontro marcou mais uma etapa do processo de reparação da localidade, atingida pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015.

A agenda teve início com uma visita técnica à área conhecida como Gesteira Velho, que foi soterrada pelos rejeitos de mineração. Em seguida, foi realizada uma reunião ampliada com a comunidade, considerada fundamental para alinhar o cronograma das obras, a gestão dos recursos financeiros disponíveis e as estratégias para a retirada dos rejeitos que ainda impactam o território.

Também participaram do encontro representantes do Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais da Universidade Federal de Ouro Preto, do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, do Consórcio Público para o Desenvolvimento do Alto Paraopeba, da Prefeitura de Barra Longa e da assessoria técnica Aedas. A presença de diferentes instituições buscou garantir maior transparência e diálogo com os atingidos.

Durante a reunião, integrantes das instituições de Justiça e dos órgãos técnicos esclareceram dúvidas levantadas pelos moradores. Entre os principais temas discutidos estiveram o plano de retirada dos rejeitos de mineração, o Protocolo de Consulta da Comunidade Quilombola de Gesteira, a viabilidade financeira das intervenções previstas e as condições de segurança do solo para atividades agrícolas futuras.

Questões consideradas sensíveis pela comunidade também estiveram em pauta. Foram debatidos o cronograma para o início da preparação do terreno, incluindo a terraplanagem, a marcação oficial dos lotes destinados ao reassentamento e a situação dos recursos reservados para a reforma da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, reconhecida pelos moradores como símbolo de fé, memória e união coletiva.

Atualmente, o montante disponível para as intervenções em Gesteira, sob custódia do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, é de R$ 61,8 milhões, valor que já inclui os rendimentos acumulados ao longo do período. Esses recursos deverão ser aplicados em melhorias estruturais, como a implantação de sistemas de água tratada, coleta e tratamento de esgoto, pavimentação de vias, além da recuperação de espaços públicos e comunitários.

O Consórcio Público para o Desenvolvimento do Alto Paraopeba informou que está preparado para iniciar as obras no setor conhecido como “Mutirão”, com serviços de drenagem e calçamento, assim que houver autorização formal da comunidade. Segundo os representantes, o objetivo é garantir que as intervenções ocorram de forma planejada e respeitando as decisões coletivas dos moradores.

A comunidade de Gesteira é considerada um dos símbolos da tragédia provocada pelo rompimento da barragem de Fundão. Assim como Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana, a localidade foi atingida pela lama e passou por deslocamento compulsório. Por isso, foi incluída em programas específicos de reparação, como o de reconstrução e realocação e o de Memória Histórica, Cultural e Artística, voltado à preservação do patrimônio e da identidade local.

A atuação conjunta do MPF e do MPMG busca assegurar que os prazos sejam cumpridos e que a reparação avance de forma efetiva. Para o início de 2026, já estão previstas reuniões entre janeiro e fevereiro para tratar do fundo de projetos comunitários e da reforma da igreja. A comunidade também deverá deliberar, até o fim de janeiro, sobre o adiantamento de obras consideradas urgentes no Mutirão, reforçando o protagonismo local no processo de reconstrução.

Foto: MPF


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