A guerra no Oriente Médio se intensificou nesta terça-feira (8), um dia após o aniversário de um ano do ataque do grupo terrorista Hamas contra Israel, que deu início ao conflito. As Forças de Defesa de Israel enviaram uma nova divisão ao Líbano, elevando para quatro o número de unidades militares atuando no território libanês. Com essa nova divisão, o total de soldados israelenses envolvidos na operação terrestre já supera 15 mil.
A operação, que começou há uma semana, agora se estende para áreas do sudoeste do Líbano, ainda não atacadas anteriormente. O Exército de Israel informou ter encontrado túneis, em preparação para infiltrações semelhantes às promovidas pelo Hamas em outubro de 2023. A 146ª Divisão de Reserva, recém-enviada, se junta a outras três divisões do exército regular, com bombardeios intensificados, especialmente no sul de Beirute.
Israel afirmou ter matado Suhail Hussein Husseini, chefe da logística do Hezbollah, nos últimos ataques. A escalada de Israel é uma resposta ao apoio do Hezbollah ao Hamas, que disparou foguetes contra Israel ao longo de 11 meses. Com essa ofensiva, Israel já eliminou grande parte da liderança do grupo extremista. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, foi morto recentemente, e agora Israel suspeita que Hashem Safieddine, seu sucessor, também tenha sido eliminado.
Apesar da pressão militar israelense, o Hezbollah realizou um dos maiores ataques com foguetes deste ano contra Haifa, o principal porto do norte de Israel. Israel informou que 135 projéteis foram lançados, e a maioria foi interceptada, embora uma pessoa tenha sido ferida por estilhaços. Como resultado, o governo israelense aumentou as restrições na região, fechando escolas e proibindo reuniões públicas.
Enquanto isso, na Faixa de Gaza, sirenes de alerta voltaram a soar em cidades como Sderot. Dois foguetes foram disparados, uma fração comparada ao início do conflito, quando o Hamas lançou 4.300 projéteis no primeiro dia da guerra. Apesar de uma diminuição no número de ataques, a retomada dos lançamentos demonstra a resistência do grupo extremista.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, também se manifestou publicamente. Em um vídeo direcionado ao povo libanês, ele criticou o controle do Hezbollah e o papel do Irã no país. “Líbano, que já foi a pérola do Oriente Médio, foi destruído por uma gangue de tiranos e terroristas, financiados pelo Irã”, disse Netanyahu.
O Irã está no centro das preocupações de Israel, especialmente após um recente ataque com mísseis balísticos. Embora Israel tenha minimizado os danos causados, a precisão e o poderio demonstrados pelo Irã aumentaram as tensões. Tel Aviv está avaliando cuidadosamente os próximos passos. O diretor da CIA, William Burns, afirmou que Israel está “pesando” os prós e contras de possíveis alvos para retaliação.
Há, contudo, divergências internas sobre a estratégia. O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, adiou uma reunião com o Pentágono, pois Netanyahu quer que o gabinete de segurança israelense aprove os planos de ação antes. Gallant, que é visto como mais próximo dos americanos, tem discordado de Netanyahu em várias frentes nos últimos meses.
Especialistas em segurança acreditam que Israel está considerando uma ação contra o programa nuclear do Irã, visto como uma oportunidade com o Hezbollah e o Hamas sob ataque intenso. No entanto, o Boletim dos Cientistas Atômicos dos EUA alertou que uma ofensiva contra o programa nuclear iraniano pode resultar em consequências graves, como a liberação de material radioativo na região. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já se posicionou contra essa ação.
Outras opções consideradas incluem ataques a instalações militares iranianas ou a setores estratégicos de energia. O Irã é responsável por 4% da produção global de petróleo, e qualquer ação militar poderia desestabilizar ainda mais o mercado global. O Golfo Pérsico, vital para o trânsito de petroleiros, é uma área de preocupação. Qualquer interrupção nesse corredor de energia, que movimenta cerca de um terço da oferta mundial de petróleo, pode ter efeitos globais, e por isso os EUA também são contrários a ataques a esses alvos.
Ainda assim, se Israel decidir por um ataque contra o Irã, é improvável que os EUA participem diretamente, embora Washington mantenha suas forças prontas na região. O Irã já prometeu retaliações em larga escala caso seja atacado, e, em resposta a qualquer agressão, ameaçou lançar mísseis com ainda mais intensidade, além dos 181 que já atingiram Israel.
A escalada no Oriente Médio coloca a região em uma encruzilhada, com desdobramentos que podem impactar não apenas o conflito atual, mas também a estabilidade geopolítica global.

