A Justiça italiana agendou para a próxima quarta-feira (13) uma nova audiência para ouvir a deputada federal Carla Zambelli, presa há duas semanas após permanecer 55 dias foragida. Ela foi detida em Roma por causa de um mandado de prisão expedido no Brasil, em junho, após condenação a dez anos de prisão pela invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Atualmente detida no complexo penitenciário de Rebibbia, também na capital italiana, Zambelli aguarda o andamento do processo de extradição. “Depois de uma audiência de custódia na semana da prisão, o caso avançou para a Corte de Apelação de Roma, onde será ouvida pela primeira vez nesta nova fase”, informaram autoridades.
A decisão da Corte de Apelação poderá ser questionada na Corte de Cassação, última instância do Judiciário italiano. No entanto, mesmo com a aprovação judicial, o Ministério da Justiça da Itália terá a palavra final, podendo negar a extradição por razões políticas. Analistas lembram que o governo liderado por Giorgia Meloni mantém afinidade ideológica com setores que apoiam Zambelli, o que pode influenciar o desfecho. Caso autorizada a extradição, a defesa ainda poderá recorrer à Justiça administrativa, como o Tribunal Administrativo Regional e o Conselho de Estado.
Enquanto isso, no Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta semana o julgamento de Zambelli por porte ilegal de armas e constrangimento ilegal, relacionado à perseguição ao jornalista Luan Araújo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo. “O processo estava suspenso desde março, devido a um pedido de vista do ministro Nunes Marques, que devolveu o caso na última sexta-feira”, destacou um integrante do tribunal. Até agora, seis ministros já votaram pela aplicação de pena de cinco anos e três meses em regime semiaberto, além da perda do mandato parlamentar.
Foto: Cristiano Mariz

