O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha com atenção os movimentos e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante da avaliação de que eventuais manifestações sobre a política brasileira podem influenciar o ambiente eleitoral dos próximos meses. Nos bastidores do Itamaraty e do Palácio do Planalto, a orientação é monitorar cuidadosamente qualquer sinal de possível interferência externa nos assuntos internos do país.
Segundo relatos de integrantes da diplomacia brasileira, cresce a percepção de que Trump tem demonstrado interesse cada vez maior na situação política do Brasil. Apesar da preocupação, fontes do governo avaliam que o país possui instituições sólidas e que o cenário brasileiro não pode ser comparado ao da Venezuela. A afirmação de que “o Brasil não é uma Venezuela” tem sido utilizada por diplomatas para destacar diferenças políticas, institucionais e democráticas entre os dois países.
O alerta ganhou força após declarações feitas por Trump durante encontros internacionais recentes, quando classificou a situação política brasileira como preocupante e manifestou apoio à família Bolsonaro. A avaliação dentro do governo é que os Estados Unidos mantêm interesse estratégico na América Latina e, por isso, qualquer posicionamento vindo da Casa Branca deve ser acompanhado com atenção.
No Palácio do Planalto, auxiliares de Lula defendem respostas rápidas a eventuais comentários considerados inadequados sobre a política nacional. A reação pública do presidente brasileiro, ao afirmar que as eleições do Brasil são assunto exclusivo dos brasileiros, foi interpretada como uma demonstração da postura que o governo pretende adotar diante de futuras manifestações do líder norte-americano.
Apesar das preocupações, integrantes do governo observam que Trump tem enviado sinais considerados contraditórios. Ao mesmo tempo em que faz referências positivas ao presidente Lula em determinadas ocasiões, também manifesta apoio político à família Bolsonaro. Essa dualidade leva setores do governo a defender cautela antes de conclusões definitivas sobre as intenções da atual administração americana em relação ao Brasil.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

