As relações entre Brasil e Estados Unidos entraram em clima de tensão desde 16 de maio, quando o Itamaraty enviou ao Departamento de Estado americano uma carta propondo, de forma cordial, a abertura de negociações sobre tarifas comerciais. Até o momento, o governo brasileiro não recebeu resposta.

A iniciativa do Ministério das Relações Exteriores ocorreu logo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornar de viagem à China. Poucos dias depois, autoridades americanas manifestaram descontentamento com decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que agravou o mal-estar diplomático.

Antes mesmo desse episódio, o ambiente já era sensível. Em maio, o almirante Alvin Holsey, comandante do Comando Sul da Marinha dos EUA, visitou o Brasil. Era a mais alta autoridade militar americana a visitar o país desde a posse de Donald Trump. A visita, anunciada pela embaixada, incluiu uma ida ao Batalhão de Infantaria da Selva, em Rio Branco (AC), com foco em questões de segurança na fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia.

Holsey também convidou o ministro da Defesa, José Múcio, e os três comandantes das Forças Armadas para um jantar em 20 de maio. Nenhum compareceu, alegando compromissos prévios. Representantes foram enviados em seus lugares.

Na quinta-feira (10), após o anúncio das sanções comerciais impostas por Trump ao Brasil, o assessor especial de Lula, embaixador Celso Amorim, declarou: “Em mais de 60 anos de diplomacia, nunca vi nada parecido”.

No mesmo dia, o chanceler Mauro Vieira estava em viagem oficial. Ele participou do 18º Fórum de Dubrovnik, na Croácia, e depois seguiu para a Irlanda, de onde retornou a Brasília na manhã de quinta-feira. As negociações com os EUA seguem paralisadas.

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

 

 


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