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Em uma live no Facebook, o deputado federal André Janones (Avante-MG) oficializou hoje (4) que saiu da disputa à Presidência da República para apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois apareceram juntos na transmissão, após uma reunião na nova sede da campanha petista, em Higienópolis, área nobre de São Paulo.

O encontro, na verdade, funcionou como uma formalização de conversas que vinham ocorrendo há alguns dias. Ambos trocaram afagos nas redes sociais e o deputado já tinha repassado propostas a serem incorporadas ao programa lulista.

Junto a Lula e Janones, participaram da reunião o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), vice na chapa do petista, dirigentes de partidos aliados e integrantes da campanha.

O então candidato do Avante tinha 1% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada. Antes, porém, chegou a empatar com nomes conhecidos como os ex-pré-candidatos João Doria (PSDB) e Sergio Moro (União Brasil).

A partir desse momento, [a candidatura] está unificada e passa a ser representada pela candidatura do presidente Lula”, afirmou Janones.

Apoio anunciado

Filiado ao PT entre 2003 e 2012, Janones começou a flertar com Lula na semana passada, com elogios públicos nas redes sociais. O ex-presidente respondeu e as equipes se aproximaram. A primeira aparição dos dois juntos, online, deixa claro que uma das expectativas da campanha petista é que, além de migração de votos, Lula absorva a expertise do meio digital — Janones tem grande engajamento nas redes sociais, área que tem recebido atenção da equipe do ex-presidente.

Janones ganhou destaque nacional ao apoiar a greve dos caminhoneiros em 2018, durante o governo Michel Temer (MDB), com lives no Facebook. Tornou-se o terceiro deputado federal mais bem votado de Minas, sendo eleito com mais de 178 mil votos. Antes de concorrer ao Parlamento, só havia se candidato para prefeito da cidade natal, Ituiutaba (MG), em 2016. Acabou em segundo lugar.

Hoje, Janones continua conhecido como um fenômeno das redes. Só no Facebook são 8 milhões de seguidores, atrás apenas do presidente Jair Bolsonaro (PL), com 14 milhões, e com recordes de audiência em transmissões ao vivo. Ao UOL News, Janones havia dito, na última segunda (1º), que iria apresentar “cinco ou seis” propostas ao petista. Entre elas, a inclusão de novos beneficiários no programa Auxílio Emergencial e a manutenção do valor mensal de R$ 600.

Na live desta quinta-feira, os dois falaram sobre o auxílio financeiro e o combate à fome. “Nós precisamos criar condições de dizer que um dia esse país vai levantar e não vai ter ninguém com fome”, disse Lula. “Temos uma proposta do Bolsa Família de R$ 600. É um projeto de lei que está há mais de dois anos no Congresso Nacional.” “Eu jamais me aliaria àqueles que utilizam a fome dos mais pobres como moeda eleitoral, como foi feito recentemente pelo atual governo, mas sim com quem dedicou a vida inteira ao combate à pobreza, aos mais necessitados”, afirmou Janones, acrescentando: “Por isso, eu e Lula estamos juntos”.

Em entrevista após a transmissão ao vivo, o petista anunciou que Janones vai participar da “redação definitiva” do programa de governo. “Vamos fazer um programa factível, que a gente possa cumprir com muita responsabilidade”, complementou o ex-presidente.

Menos é mais

Para além das redes, a campanha de Lula tem tentado reduzir o número de candidatos na disputa eleitoral, com o objetivo de ganhar no primeiro turno.

A lógica é simples: quanto mais candidatos desistirem, maior a possibilidade de puxar votos — se eles se engajarem na campanha. Para vencer, Lula precisa ter um voto a mais que a soma dos demais concorrentes.

Com a adesão do Avante, a aliança em torno de Lula sobe para oito partidos: PT, PSB, PCdoB, PV, PSOL, Rede e Solidariedade. O Pros chegou a anunciar apoio à chapa do petista, mas enfrenta uma briga interna — que chegou à Justiça.


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