Uma ofensiva relâmpago lançada por jihadistas e aliados no noroeste da Síria já provocou mais de 250 mortes, conforme informações divulgadas pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) nesta sexta-feira (29). Os combatentes chegaram às imediações de Aleppo, a segunda maior cidade do país, intensificando os confrontos na região.

Desde o início da ofensiva, na última quarta-feira (27), quase 50 localidades foram tomadas pelos jihadistas, segundo o OSDH, uma organização não governamental sediada no Reino Unido, mas que mantém uma ampla rede de contatos na Síria.

Os combates entre forças do regime de Bashar al-Assad e milicianos jihadistas são os mais intensos desde 2020. A província de Aleppo, em grande parte controlada pelo regime, faz fronteira com Idlib, o último grande reduto rebelde e jihadista do país.

O OSDH registrou 255 mortes, incluindo combatentes de ambos os lados e civis. Pelo menos 24 civis morreram apenas nesta sexta-feira, sendo 19 em bombardeios realizados pela aviação russa em áreas controladas pelos rebeldes.

Um representante das forças de segurança afirmou que o exército sírio enviou reforços para Aleppo e garantiu que os jihadistas ainda não alcançaram os limites da cidade. No entanto, o OSDH reportou que o grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham (HTS) e facções aliadas, algumas próximas à Turquia, já estão nas proximidades.

Durante a guerra civil, iniciada em 2011, o regime sírio reconquistou a parte leste de Aleppo em 2016 com apoio aéreo russo, após intensos bombardeios. Agora, pela primeira vez em quase cinco anos, moradores relatam ataques contínuos de foguetes e artilharia.

“Estamos com medo de que o cenário da guerra se repita e sejamos obrigados a fugir novamente”, declarou Sarmad, um morador de 51 anos, à AFP.

Do lado rebelde, correspondentes da AFP relataram combates intensos nos arredores de Aleppo. Os jihadistas avançaram com veículos blindados até uma localidade a sete quilômetros da cidade, bombardeando a região. Um ataque atingiu o campus universitário de Aleppo, resultando na morte de quatro civis, segundo a agência oficial Sana.

A ofensiva ocorre em meio a tensões regionais. Um general iraniano da Guarda Revolucionária foi morto nos combates na última quinta-feira (28). O Irã, aliado incondicional da Síria, tem apoiado o regime com conselheiros militares e recursos desde o início da guerra civil.

O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, questionou a eficácia das forças do regime frente aos ataques, apesar do apoio aéreo russo. Ele sugeriu que a ausência de tropas do Hezbollah, envolvidas em conflitos no Líbano, pode ter enfraquecido a defesa.

O grupo jihadista HTS, antigo braço sírio da Al-Qaeda, controla o último reduto rebelde do país, incluindo partes de Idlib e áreas das províncias vizinhas de Aleppo, Hama e Latakia. Mohammad al Bashir, líder do “governo” de Idlib, afirmou que a ofensiva é uma resposta às recentes ações do regime.

A situação continua a evoluir, com temores de uma escalada ainda maior no conflito que já devastou a Síria por mais de uma década.

Foto: Aaref Watad/AFP


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