O ministro da Agricultura e Segurança Alimentar de Israel, Avi Dichter, declarou que os militares israelenses deverão manter presença na Faixa de Gaza por vários anos. Segundo Dichter, o objetivo é eliminar novos recrutas do Hamas e, eventualmente, colaborar na distribuição de ajuda humanitária. A declaração foi reportada pelo jornal *The Guardian*, destacando a ausência de um plano claro para o pós-guerra, enquanto a ala mais extremista do governo israelense defende a reocupação do território palestino.
“A maioria das pessoas entende que [Israel] ficará por anos em uma situação semelhante à da Cisjordânia, com operações de entrada e saída, possivelmente mantendo presença ao longo do Corredor Netzarim”, afirmou Dichter. Este trecho estratégico de 6,4 km conecta a fronteira israelense ao Mediterrâneo, dividindo Gaza ao meio, e é considerado essencial para o controle militar da região.
Dichter também mencionou que o Hamas ainda mantém capacidade militar, já que Israel não alcançou todos os pontos de Gaza. Ele reconheceu que a guerra não pode eliminar a ideologia do grupo, ecoando uma avaliação feita em junho pelo porta-voz do Exército, Daniel Hagari, que comparou essa promessa a “jogar areia nos olhos das pessoas”.
No campo humanitário, Israel avalia estratégias para proteger os comboios de ajuda de saqueadores. Dichter sugeriu que empreiteiros privados ou as Forças Armadas poderiam assumir essa tarefa, embora soluções possam variar em diferentes partes de Gaza. Trabalhadores humanitários e moradores relataram à *BBC* que grupos criminosos operam sem intervenção militar, dificultando a distribuição de suprimentos.
Além disso, 29 ONGs acusaram os militares israelenses de facilitarem saques em Gaza, especialmente ao atacarem forças policiais locais que tentavam conter os roubos.
O Corredor Netzarim, batizado em homenagem a um antigo assentamento israelense, serve como eixo para operações militares, garantindo mobilidade e controle sobre o fluxo de ajuda humanitária e de deslocados palestinos. Segundo o *Washington Post*, o corredor simboliza a consolidação da presença militar israelense e pode ser parte de um plano mais amplo para criar uma zona de proteção no pós-guerra.
Reservistas que serviram recentemente em Gaza relataram ao *Guardian* a construção de nova infraestrutura militar, incluindo bases e estradas. Um oficial desmobilizado descreveu que sua missão era demolir casas para abrir espaço para essas instalações. Barreiras de areia e torres de observação foram erguidas em áreas densamente povoadas, com pelo menos 750 edifícios demolidos até maio para criar zonas de segurança.
Embora Israel não tenha apresentado um plano claro para o pós-guerra, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as tropas podem permanecer “indefinidamente” em Gaza para garantir a desmilitarização do Hamas. Ministros como Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich defendem abertamente a ocupação total do enclave e a reconstrução de assentamentos judaicos. Smotrich chegou a sugerir a redução da população palestina de Gaza, promovendo o que descreveu como “emigração voluntária”, interpretada por analistas como deslocamento forçado.
Enquanto isso, o Corredor Netzarim permanece um ponto crítico, dificultando acordos de cessar-fogo. A permanência militar israelense e a destruição de infraestrutura em Gaza levantam questões sobre o impacto humanitário e as implicações políticas para o futuro da região, já devastada por anos de conflito.
Foto: Jack Guez / AFP

