O ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa oficializou sua filiação ao Democracia Cristã e voltou a ser apontado como possível candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A entrada no partido ocorreu no início de abril, dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para futuras candidaturas. Apesar da movimentação política, integrantes da legenda já demonstraram resistência ao nome do ex-magistrado e afirmaram publicamente que pretendem trabalhar contra uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto.

Segundo a direção nacional do partido, ainda existem definições pendentes sobre o futuro político da legenda. Uma reunião marcada para a próxima semana, em Brasília, deverá discutir o espaço de Joaquim Barbosa dentro do DC e o destino da pré-candidatura do ex-ministro Aldo Rebelo, lançada oficialmente em janeiro. A expectativa é que o partido também anuncie as principais linhas de atuação política para a campanha presidencial do próximo ano, com foco em ética pública, combate a privilégios e reforma do Judiciário.

Procurado por jornalistas, Joaquim Barbosa não comentou a filiação nem confirmou se pretende disputar as eleições presidenciais. Mesmo assim, aliados afirmam que ele avalia novamente a possibilidade de entrar na corrida eleitoral, cenário especulado desde sua saída do Supremo Tribunal Federal, em 2014.

Primeiro negro a ocupar uma cadeira no STF, Barbosa permaneceu onze anos na Corte e ganhou projeção nacional ao atuar como relator do processo do mensalão, julgamento que condenou figuras importantes da política brasileira, incluindo o ex-ministro José Dirceu. Durante o período em que presidiu o Supremo, passou a ser citado frequentemente como possível candidato à Presidência devido à popularidade conquistada após o julgamento.

Ainda em 2013, quando permanecia no STF, Joaquim Barbosa admitiu publicamente que poderia disputar a Presidência no futuro, embora afirmasse não possuir intenção imediata de concorrer ao cargo. Em 2018, ele chegou a se filiar ao PSB com o objetivo de viabilizar uma candidatura presidencial, mas desistiu meses depois. Na ocasião, anunciou a decisão por meio das redes sociais e afirmou que a escolha era estritamente pessoal.

Atualmente, o principal nome lançado pelo Democracia Cristã para disputar a Presidência é Aldo Rebelo. Ex-integrante do PCdoB e atualmente alinhado a setores próximos do bolsonarismo, Rebelo tem defendido a concessão de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos envolvidos nos atos golpistas investigados pelo Supremo Tribunal Federal. Nos últimos anos, o ex-ministro participou de eventos ao lado de Bolsonaro e de aliados militares ligados ao antigo governo.

Apesar da filiação de Joaquim Barbosa, dirigentes estaduais do partido demonstraram forte insatisfação com a possibilidade de substituição de Aldo Rebelo. O presidente do diretório paulista do DC, o ex-deputado Cândido Vaccarezza, classificou o nome do ex-ministro como inapoiável e declarou que pretende atuar contra sua candidatura presidencial. Segundo Vaccarezza, Joaquim Barbosa não possui experiência política suficiente para governar o país. Em resposta, o presidente nacional do Democracia Cristã afirmou que integrantes que trabalharem contra uma eventual candidatura poderão ser expulsos da legenda.

A possível candidatura de Joaquim Barbosa voltou a movimentar setores políticos que defendem alternativas fora da polarização entre governo e oposição. Integrantes do partido acreditam que o ex-ministro pode atrair eleitores insatisfeitos com os principais grupos políticos nacionais e recuperar debates relacionados ao combate à corrupção e ao funcionamento das instituições públicas. Outros dirigentes, porém, avaliam que a ausência de experiência eleitoral recente e as divergências internas no Democracia Cristã podem dificultar a construção de uma candidatura competitiva para 2026, principalmente diante do cenário nacional ainda dominado por lideranças tradicionais.

Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ


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