O ex-ministro da Casa Civil e ex-presidente do PT, José Dirceu, defendeu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a vinte e sete anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, cumpra a pena em regime domiciliar. Em entrevista à BBC News Brasil, publicada nesta segunda-feira (6), Dirceu afirmou que Bolsonaro “não tem condições” físicas nem psicológicas de permanecer no sistema prisional comum.
Segundo ele, o ex-presidente deveria receber tratamento semelhante ao concedido a Fernando Collor, que cumpre prisão domiciliar em razão da idade e de problemas de saúde. “Acho muito improvável que se possa colocar presos vulneráveis no sistema penitenciário, que é controlado pelo crime organizado. As condições são péssimas. Ele não tem condições de ir para a prisão. Isso não aconteceria nunca, você não pode colocar um ex-presidente da República no sistema penitenciário”, declarou Dirceu.
O ex-ministro, que foi preso na operação Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, teve suas condenações anuladas pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, em outubro do ano passado. Ao comentar sobre sua própria experiência na prisão, Dirceu disse acreditar que Bolsonaro teria grande dificuldade em suportar a rotina carcerária.
“Eu nunca tive relação com Bolsonaro, mas me parece que ele é uma pessoa psicossomática, muito instável, que vai acelerando. Não é alguém que tem autocontrole. Todo mundo sofre na prisão, todo mundo tem depressão, chora, chama a mamãe, reza. Eu não desejo mal a ninguém, nem a ele”, afirmou.
Questionado sobre a pauta da anistia e a dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, Dirceu criticou a postura da direita brasileira. “Nos últimos dez anos, aumentaram as penas para tudo no Brasil, e a direita sempre aplaudiu isso. Mas agora quer diminuí-las para aqueles que destruíram o Parlamento, a sede do Judiciário e o Palácio do Planalto. Como se isso fosse pouco”, completou.
Foto: Cristiano Mariz

