A Zona da Mata sofre com o avanço dos índices da pobreza extrema, situação que atinge 4 milhões de mineiros. Em Juiz de Fora, o candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil (PSD), chamou a atenção nesta quinta-feira (1º/9) para o problema, desmentindo o que o atual governador Zema tenta passar aos eleitores, de que Minas avança.

Dados do CadÚnico, do governo federal, mostram que de fevereiro de 2018 a julho de 2022, ou seja, englobando três anos e meio da gestão Zema, o número de famílias de baixa renda aumentou mais de 43% em Juiz de Fora, maior cidade da Zona da Mata e a 4ª mais populosa de Minas. Passou de 44 mil para 63 mil famílias.

Das 63 mil famílias juiz-foranas nesta situação, 34% (ou 21,4 mil) estão na extrema pobreza. Em Ubá, outra importante cidade da Zona da Mata, o avanço foi de 50%, saltando de 10 mil para 15 mil famílias de baixa renda, com 15% (2,2 mil) na pobreza extrema.

O CadÚnico é o principal instrumento para a inclusão de famílias de baixa renda em programas federais de assistência social. São consideradas na extrema pobreza aquelas que vivem com menos de 1,9 dólar por mês, cerca de 10 reais.

Os níveis de pobreza da Zona da Mata estão chegando perto dos níveis de pobreza do Jequitinhonha. Conversei com a Margarida (Salomão, prefeita de Juiz de Fora), e ela falou que a situação dessa região é muito grave. E é isso que nós queremos olhar”, destacou Kalil.

Para reverter essa situação em Minas, onde a pobreza duplicou nos últimos quatro anos, Kalil aponta a necessidade de aumentar o orçamento para a Assistência Social. “Só de isenção de IPVA de uma empresa, Minas Gerais perde 1 bilhão de reais por ano. E o orçamento é de R$ 85 milhões. É preciso aumentar em dez vezes, o que é muito pouco ainda, mas não podemos abandonar”, disse o ex-prefeito de Belo Horizonte.

Nenhuma melhora

Cidadão juiz-forano desde maio, quando recebeu o Título de Cidadão Honorário, concedido pela Câmara Municipal, Kalil questiona a população: o que melhorou na vida da Zona da Mata nos últimos quatro anos?

As estradas estão arrebentadas, na saúde falta remédio. Estamos no século 21. Em Belo Horizonte não falta remédio, porque em Juiz de Fora falta? Não é por causa da prefeitura, é porque a Farmácia de Minas é um fracasso no Estado inteiro. Vamos parar de tratar Minas Gerais como coisa rasa, temos que ser mais profundos, mais humanos e ter mais amor para tratar o nosso Estado”, disse.

Kalil conta com a parceria com Lula, candidato do PT à presidência da República, para realizar um dos maiores sonhos de Juiz de Fora e região: a conclusão e funcionamento do Hospital Regional. A promessa foi feita reiteradamente por Zema, mas não foi cumprida. Para que os 250 leitos da instituição de saúde sejam oferecidos à população, é preciso reverter o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), como destaca o candidato do PSD.

Kalil ressaltou que o Regime proíbe a criação de cargo, emprego ou função que implique aumento de despesa; a realização de concurso público, ressalvada a hipótese de reposição; a criação, majoração, reajuste ou adequação de auxílios, aumentos, vantagens, verbas do Ministério Público, do Executivo, da Defensoria Pública e do Judiciário. Além disso, impede reajuste salarial para os servidores durante até 20 anos.

No entanto, o RRF é apontado por Zema como a salvação para Minas Gerais. “Quando eu escutei aqui ontem que isso vai colocar o Estado numa situação espetacular, não é verdade. E não sendo verdade, é muito grave para esse povo que está esperando um aumento na saúde, colocar criança dentro de sala de aula, porque se você quer escola em tempo integral, tem que colocar professor, se você quer colocar posto de saúde a mais, tem que colocar médico, colocar atendente. Então, o que eu escutei ontem é muito grave”, disse Kalil, se referindo à entrevista de Zema, também em Juiz de Fora.

A meta de Kalil é firmar uma parceria forte com o governo federal. “Tem que ir lá em Brasília, porque o presidente Lula tem compromisso com esse Estado. Nós vamos lá sim, e dizer que nós temos que abrir o Hospital Regional. O povo se sente sacaneado por não ter esse hospital até hoje. Se para construir já está essa luta, para rechear, com essa lei, infelizmente é uma fake news, e não uma fake news boba, do tipo que Bolsonaro faz. E uma fake news que atinge a vida do povo pobre, do povo sofrido, que vai continuar sendo enganado”.


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