A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a atração do mercado internacional pelo dólar como ativo de segurança “erodiu ligeiramente”, indicando que há risco de enfraquecimento adicional da moeda norte-americana no cenário global. Em entrevista concedida à rede CBS neste domingo (19), ela citou como evidência o desempenho recente do ouro nos mercados internacionais. Segundo Lagarde, “o preço do ouro aumentou 50% desde o início do ano. Este é um sinal claro de que a confiança na moeda reserva está erodindo um pouco”, relacionando o movimento à percepção de incerteza sobre o papel do dólar como ativo dominante.

Ela explicou que, para que uma moeda mantenha o status de referência internacional, precisa reunir alguns elementos fundamentais, entre os quais credibilidade geopolítica, instituições sólidas e capacidade militar, fatores que historicamente sustentaram o domínio do dólar. Ainda assim, Lagarde ponderou que “os EUA ainda possuem uma posição dominante em um ou dois desses pontos, mas é preciso ter cuidado, elas se deterioram com o tempo”. Em sua avaliação, oscilações políticas e sinais de instabilidade decorrentes das decisões do atual governo podem pressionar a confiança global. Como resumiu, “qualquer volatilidade ou incerteza alimentada pela administração do presidente norte-americano, Donald Trump, não é benéfica para o dólar”.

Ao comentar a disputa entre Washington e Pequim, Lagarde afirmou que a China detém “posição comercial muito forte” em setores estratégicos, especialmente na cadeia de terras raras. Para ela, os Estados Unidos deveriam articular parcerias com Europa e outros países para “ser uma força de compra do outro lado da mesa de uma força de venda”, equilibrando a pressão da indústria chinesa.

Lagarde também admitiu abertura para o uso de ativos russos congelados como forma de garantir financiamento à Ucrânia, ressaltando que a iniciativa deveria ser construída de maneira multilateral. Nas suas palavras, “acredito que o uso justo consistiria em um empréstimo operacional que usaria saldos de caixa como garantia. E acredito que a força do sistema deve se basear em todos os detentores de ativos russos fazendo o mesmo”.

Foto: Jana Rodenbusch


Avatar

administrator