A secretária Nacional de Mudança do Clima e diretora-executiva da COP30, Ana Toni, afirmou nesta sexta-feira (24) que a licença concedida pelo Ibama à Petrobras para iniciar a pesquisa exploratória na Margem Equatorial não compromete a credibilidade do Brasil na cúpula climática. Segundo ela, a autorização deve impulsionar um debate mais maduro sobre o uso de combustíveis fósseis e o caminho da transição energética no país.
“Não acho que afeta diretamente a credibilidade da presidência da COP porque essas contradições que a gente está vivendo no Brasil, todos os outros países também estão vivendo”, disse Ana Toni durante evento da Associação da Imprensa Estrangeira (AIE). Para ela, o tema precisa ser tratado com mais transparência e diálogo público, assim como ocorreu no debate sobre o desmatamento.
A dirigente ressaltou que a discussão energética no Brasil “nunca foi tão madura” e afirmou que a exploração poderá conviver com o compromisso climático, desde que haja clareza nas metas e planejamento estratégico. A medida, no entanto, gerou críticas de ambientalistas, povos tradicionais e organizações da sociedade civil, que alertam para riscos ambientais na região da Foz do Amazonas.
Ana Toni disse que o país está “bem posicionado” no Acordo de Paris e que a transição energética será um dos tópicos centrais da COP30. Ela destacou ainda que mais de 160 delegações já estão credenciadas para o evento e reforçou que o Brasil seguirá liderando “pelo exemplo”, enfrentando suas contradições à vista de todos.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

